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1988

Rusgas com a imprensa

As tentativas frustradas de conquistar o acesso à elite do futebol paulista já começavam a pesar dentro do Rio Branco. Para a sua 10ª tentativa de subir depois do retorno ao profissionalismo, o Rio Branco resolveu apostar em uma base vinda do Noroeste e chegou a sonhar, no meio da temporada, em ter Jorge Mendonça, mas tudo não passou de um sonho mesmo com o veterano jogador, de 34 anos, mostrando-se disposto a defender o clube.

O último ano do mandato de Fred Pantano foi discreto dentro de campo. No final de 1987, o Tigre apostou em cinco jogadores do Noroeste para formar a base da equipe em 1988. Chegaram Silvio Luís, Bira, Ferreira, Fenê e o principal reforço da temporada, o experiente meia Eudes, ex-Portuguesa, todas indicações do técnico Walter Zaparolli.

A temporada começou com boas atuações nos amistosos preparatórios para a Divisão Especial e continuou no início da competição, com três vitórias seguidas. O bom início garantiu, apesar de um período de instabilidade, a liderança do grupo ao final da 1ª fase.

O time seguiu bem na 2ª fase, sem, no entanto, deixar de reclamar das atuações da arbitragem. A insatisfação fez o Tigre mostrar a força que tinha fora das quatro linhas. Na partida contra o Ituano (14-8-1988), pressionou e conseguiu a escalação, em Americana, do juiz Arnaldo Cézar Coelho, árbitro da final da Copa do Mundo de 1982.

A classificação na 2ª fase veio apenas na última rodada, com um empate fora de casa com o Ituano que deixou o time com a vaga por índice técnico. Mas depois o time não conseguiu, em momento algum, empolgar na 3ª fase. Nem levar todo o elenco para rezar em Aparecida do Norte resolveu (22-9-1988). O time chegou a ficar 552 minutos sem marcar gol e 98 dias sem vencer. Na metade da fase, já havia desistido da classificação.

Na reta final, para economizar, o Rio Branco decidiu acabar com a concentração dos jogadores em um hotel da cidade (2-11-1988), que acontecia desde o início da temporada. A partir do jogo contra o São Bernardo (6-11-1988), cada jogador passou a ficar em sua casa ou na república de atletas no estádio, uma economia de Cz$ 150 mil a cada concentração.

Rio Branco antes de vencer o Sãocarlense em 6 de março de 1988 por 2 a 0: Bira, Silvio Luis, Ailton Luis, Batata, Chicão e Ferreira (em pé); Cássio, Vagner, Mário Celso, Eudes e Tutu (agachados)

No final daquele mesmo mês, houve um desentendimento dos jogadores com a imprensa, que levou o grupo a entregar uma carta de protesto (25-11-1988), principalmente contra as rádios Notícia e Jornal. Atletas reclamavam principalmente de acusações de que teriam vendido o jogo contra a Catanduvense (13-11-1988) e defendiam boicote total de entrevistas, mas a manifestação se limitou mesmo à carta.

A resposta veio ainda no mesmo mês, quando as rádios Azul Celeste e Notícia decidiram não mais entrevistar jogadores do Rio Branco (26-11-1988). Seguiriam transmitindo os jogos, mas sem ouvir qualquer atleta do clube.

O clube ficou um bom tempo em 1988 sem médico, depois da saída de Mauro Bosi, com Clóvis Vesco, o massagista/enfermeiro do clube, sendo improvisado na função quando necessário. Outro médico chegou ao clube no ano, mas para trabalhar na diretoria – descartou inclusive atuar também como ortopedista, já que esta não era sua especialidade.

O médico urologista Antonio Laércio Botasso, 38, foi anunciado (14-7-1988) como diretor de futebol na vaga deixada por Rubens Rosalen, que havia morrido um mês antes (13-6-1988) após sofrer um ataque cardíaco. Conselheiro por 16 anos, Botasso nunca havia trabalhado com futebol, mas resolveu aceitar o convite de Pantano.

Outras mudanças aconteceram fora de campo. O preparador físico Fred Smania voltou a ser o responsável pela preparação física (20-6-1988). Logo depois (30-6-1988), Alceu Rodrigues, o Banha, após oito anos de Noroeste e quatro de Matsubara-PR, assumiu o cargo de supervisor de futebol, que estava vago depois da rápida passagem de José Luis Guidotti em 1986.

Em outubro (4-10-1988), o Rio Branco demitiu o treinador de goleiros Dino Zaparolli, sob a alegação de que o clube não poderia se arriscar pelo fato de que seu pai, Walter Zaparolli, seria adversário do Rio Branco na sequência da Divisão Especial. No mesmo mês, a torcida Tigres do Frezzarin, que tinha cerca de 50 associados e ficava na Rua Ipojuca, 170, no Ipiranga, rompeu com a diretoria e iniciou um boicote aos jogos devido à proibição de colocar faixas do lado de dentro do alambrado.

No sonho pelo acesso, o Tigre atraiu em 1988 torcedores até para os seus treinos. Em um deles, naquele ano, a coisa não acabou bem. Irritado com a fraca atuação dos titulares no coletivo, um torcedor começou a discutir com o técnico Vanderlei Paiva (22-7-1988). O roupeiro Peixe Gato (Marcos Ferrari) armou-se então de um pau e seguiu para a arquibancada para tomar satisfações. O supervisor Banha evitou o pior.

No final do ano, iniciou-se o mandato do presidente que entraria para a história por levar o Rio Branco enfim à elite do futebol paulista. Chico Sardelli tinha apenas 32 anos quando foi candidato a vice-prefeito em Americana na chapa de Abdo Najar. Em uma disputa acirrada na eleição de 15 de novembro de 1988, Waldemar Tebaldi teve 29.121 votos contra 24.070 de Najar, o segundo mais votado.

Fora da prefeitura, Sardelli apareceu como o líder da chapa Tudo pelo Rio Branco, que dias depois (3-12-1988) foi eleita ao Conselho Deliberativo por aclamação, sem adversário. Na eleição a presidente (20-12-1988), após 2h50 de reunião e presença de 52 dos 60 conselheiros, Sardelli foi aclamado e teria de indicar o nome de sete vice-presidentes para que o Conselho homologasse até o dia 15 de janeiro do ano seguinte.

A reunião que definiu Sardelli como presidente para os três anos seguintes só teve momentos tensos quando Décio Vitta ameaçou deixar a Comissão de Obras, mas acabou recuando. Para a presidência do Conselho, Vilson José Tescaro venceu Reinaldo Bernardi por 28 a 24. Em comum acordo com Pantano, Sardelli assumiria o cargo no último dia do ano, às 10h.

Dois dias depois de eleito, Sardelli já tinha os principais nomes de sua diretoria. Claudio Froner seria o vice social e se juntaria a Tchida Marin (futebol), Roberto José Faé (administrativo), José Milani Filho (financeiro), Edilberto de Paula Ribeiro e André Bastelli (marketing) e Edson José Bassette (sede náutica).

Sardelli assumiu o clube com a bandeira de tornar o futebol independente do social, inclusive desvinculado do clube, e com a proposta de sair em busca de pequenos apoios para manter o futebol. “Quero um pouco de muitos e não muito de apenas um”, disse em entrevista para O Liberal.

Um dia antes do anúncio do primeiro escalão de Sardelli (21-12-1988), o Rio Branco, após 22 meses de obras, entregou as obras de seu parque aquático na sede náutica, com custo na casa de Cz$ 183 milhões. No final do ano, o Décio Vitta recebeu (20-12-1988) o jogo desempate da final do Campeonato Paulista de juniores. Depois de uma vitória para cada lado, Novorizontino e Juventus se enfrentaram em Americana pelo título da competição. Com gol de Ferrugem, o Novorizontino venceu por 1 a 0 e ficou com a taça.

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NOTA SOBRE DIREITOS AUTORAIS

A pesquisa que resultou no site "Almanaque do Tigre", além de outros trabalhos como o filme "Tigre de Americana - Uma paixão centenária" e o livro "Almanaque do Rio Branco - O Embaixador de Americana", foi extensa. Foram décadas consultando jornais, edição por edição, e colhendo informações. Foram centenas de entrevistas com jogadores e técnicos, que gentilmente cederam fotos ou vídeos ao acervo.

Por isso, ao reproduzir alguma informação, foto ou vídeo desse site, dê os créditos. É importante para que o trabalho de resgate da história do Tigre continue existindo e seja valorizado.

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O acervo fotográfico deste site é composto por imagens pertencentes aos acervos de Claudio Gioria e Gabriel Pitor, além de fotografias produzidas pelos fotógrafos Juarez Godoy e Christian Guedes.

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