Imagine-se você em 1913.
Você mora em um distrito de Campinas.
Eram cinco: Arraial de Souzas, Valinhos, Cosmópolis, Rebouças e… Villa Americana.
Você mora no distrito que mais gera receita.
Amanhã é agosto.
E alguém aí certamente já pensa que era preciso ter um clube de futebol no distrito.
Quem pensou primeiro?
Quem tomou a iniciativa?
Não sei.
Bola, já tinha uma, desde o século XIX.
Quem trouxe a primeira bola para Villa Americana foi o professor Costa.
Irmão de Fernando Costa, que anos depois seria governador do estado.
Ele dava aulas em Americana e, certa vez, trouxe uma bola de São Paulo.
Alunos jogavam aquele novo esporte no mato que tinha beirando a linha do trem.
Costa foi embora para Pirassununga em 1901, e deu a bola ao recém-chegado professor Silvino.
E o Silvino, talvez o mais famoso professor da história de Americana, fez o que quando recebeu seu primeiro salário como professor na vila?
Pegou um trem e foi para São Paulo.
Foi até a Casa Genoud, e comprou uma segunda bola.
Era mais forte, era mais redonda.
E foi ela a usada pelos alunos em intervalos de aula em jogos que geralmente acabavam em briga.
Foi ali que tudo começou.
Foi ali que surgiram os primeiros jogadores da vila.
Até que, em algum dia que a gente não sabe qual, alguém decidiu fundar um clube.
Deve ter sido naquele julho, não sei. Talvez antes.
Ninguém sabe ao certo o dia em que a ideia nasceu.
Mas a data em que ela ganhou nome, história e futuro, essa a gente conhece.
Você, que está aí em 1913.
Sem saber o que está prestes a acontecer.
Saiba que, daqui a quatro dias, vai nascer algo que marcará a vida de gerações.
E que, 113 anos depois, alguém ainda estará contando essa história.

