Domingos Meirelles nasceu em Campinas e veio para Americana quando a cidade ainda era distrito de Campinas, estabelecendo-se definitivamente por aqui e montando uma alfaiataria na Rua Carioba, onde também passou a participar da vida da comunidade que começava a se desenvolver.
Sua ligação com o futebol, porém, vinha de antes. Em Campinas, havia jogado pelo Guanabara no Campeonato Campineiro de 1907 e chegou também a atuar pelo Guarani. Em Americana, participou diretamente da fundação do Arromba e foi escolhido por unanimidade para ser o primeiro presidente da história do clube, em 1913.

A relação de Domingos com Americana, entretanto, ia muito além do futebol. Ao longo da vida, dirigiu indústria e participou de diferentes atividades da comunidade, sendo membro da diretoria da Irmandade de Misericórdia do Hospital São Francisco e um dos entusiastas do esporte na cidade. Também esteve ligado à Rádio Clube de Americana nos primeiros anos de sua existência, quando foi diretor da emissora.
Em 1962, Honorato José de Oliveira publicou em “O Liberal” um texto sobre Domingos Meirelles, lembrando sua trajetória e sua participação na vida de Americana. O artigo destacava que ele era um dos antigos moradores da cidade e recordava sua atuação no futebol, na indústria e em instituições locais, além de ressaltar a disposição com que havia se dedicado durante décadas às atividades que considerava importantes para a comunidade.

Além de um dos fundadores do Rio Branco, Domingos Meirelles, segundo o registro de Honorato, havia sido fundador da sociedade italiana do Mútuo Socorro Unione e Fratelanza e do Hermette Novelli.
Em 1964, aos 75 anos, morava na Rua 7 de Setembro, 676, onde faleceu no dia 29 de agosto, às 19 horas. O anúncio publicado pelo “O Liberal” dois dias depois informava que o funeral havia sido realizado com grande acompanhamento, saindo o féretro da residência em direção ao cemitério local, onde Domingos foi sepultado em jazigo perpétuo.
Era casado com Helena Orlando Meirelles e tinha três filhas: Mafalda, casada com Atilio Dextro, conhecido personagem da história esportiva de Americana; Wanda, casada com Paschoal Jacobucci; e Cacilda, casada com Idney Buzzolini. Seu único filho homem, Ary Meirelles (que dá nome a uma rua em Americana hoje), já havia falecido, e Domingos deixou ainda quatro netos.
Quando morreu, já haviam passado mais de cinco décadas desde sua participação na fundação do Arromba. Nesse período, o clube havia mudado de nome, Americana havia deixado para trás a condição de distrito e o futebol havia adquirido uma dimensão completamente diferente daquela de 1913.
Domingos, no entanto, permanecia ligado ao começo de tudo. Foi presidente do Arromba até 1915, ainda na fase Arromba, já que o clube mudou de nome para Rio Branco apenas em 1917.

