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Nunca repita esses erros sobre a história do Rio Branco

Posted on junho 24, 2026

Campeão do interior ou da Série A-2?

Taça de campeão do interior de 1922

A Federação Paulista de Futebol nem existia quando o Rio Branco conquistou o máximo que um clube do interior poderia conquistar nos anos 20: foi campeão do interior em 1922, e repetiu o feito em 1923.

Não diga que o Rio Branco é bicampeão da Série A-2 porque a federação (que nem existia, repito) resolveu “unificar” algo que não é possível unificar, dizendo que é Série A-2.  Não é.

Não existia segunda divisão na época (foi criada em 1947). Existia o campeonato principal, disputado pelas equipes da capital, e o campeonato do interior. 

E o campeão da capital enfrentava o campeão do interior na chamada Taça Competência, um jogo até que era definido pela imprensa da capital como a definição do título regional paulista (veja a reprodução do Correio Paulistano abaixo). É óbvio que Campeonato do Interior não tem qualquer semelhança com Série A-2.

O Rio Branco perdeu as duas Taças Competências para o Corinthians, a segunda delas, por 2 a 1, sendo prejudicado pelo juiz, como apontado por veículos da imprensa, inclusive da Capital (veja na outra reprodução abaixo).

“Quando ainda era AEC (Americana Esporte Clube)…” ou “Quando ainda era o Vasquinho (Esporte Clube Vasco da Gama)…”

Você já ouviu ou leu essa frase sobre o Rio Branco. Está errado.

O Rio Branco nunca foi AEC. O Americana Esporte Clube era o Vasquinho, clube de Americana fundado em 1950 que mudou de nome para AEC em 1976. Foi o AEC que, em 1977, inaugurou o Riobrancão, construído pelo Rio Branco mesmo com o seu futebol parado desde 1959.

Em 1979, sem condições de se manter na segunda divisão paulista, o AEC fez uma fusão com o Rio Branco, algo que começou a ser trabalhado no ano anterior.

Uma fusão que, na prática, foi uma substituição. Não sobrou absolutamente nada do AEC. Foi como se o clube tivesse dado sua vaga ao Rio Branco na segunda divisão paulista e saído de cena.

A fusão ganhou o aval da federação paulista, então presidida por Nabi Abi Chedid, em uma reunião no dia 16 de abril de 1979. Estiveram na reunião Décio Vitta, então vereador em Americana, Delcio Dollo, presidente do Rio Branco, além de Nelson Bellan e Alfredo Spinola de Melo, representando o AEC.

Afinal, o Rio Branco subiu em 1990 ou em 1992?

Essa é outra dúvida que sempre aparece e envolve a mentira alimentada por muitos que o São Paulo foi rebaixado no Campeonato Paulista de 1990.

O Rio Branco jogou a Divisão Especial (equivalente à segunda divisão) em 1990 e foi vice-campeão. Quatro subiram.

O regulamento da primeira divisão de 1990 era claro ao dizer que não haveria rebaixamento à Divisão Especial (veja abaixo a reprodução do regulamento), o que acaba com qualquer tentativa de dizer que o São Paulo foi rebaixado. O plano da federação era inchar a primeira divisão para, depois, dividi-la.

O regulamento de 1990 já deixava claro que, a partir de 1991, a primeira divisão teria dois grupos, um com os 14 melhores classificados em 1990 e o outro com os dez piores mais as quatro equipes que vinham da Divisão Especial, entre elas o Rio Branco. Todos poderiam ser campeões paulistas, o que deixa claro que era uma divisão única.

Ou seja, o Rio Branco subiu em 1990.

Mas o que aconteceu em 1992 com o Rio Branco?

O time ficou entre os seis primeiros do grupo de baixo da primeira divisão, com rodadas de antecedência (veja jornal abaixo). o que lhe deu uma vaga no grupo de cima no ano seguinte, ao lado dos grandes. As piores do grupo de cima eram trocadas pelas melhores do grupo de baixo, dentro da primeira divisão.

Isso foi importante porque, em 1994, a federação completou o seu planejamento iniciado lá em 1990 de reduzir os clubes em cada divisão, separando de fato os dois grupos em primeira e segunda divisões.

Como o Rio Branco estava no grupo de cima desde 1993, permaneceu na primeira divisão, caso contrário teria voltado à segunda divisão mesmo sem ter sido rebaixado em campo.

Regulamento da Federação Paulista de Futebol para o Paulistão de 1990

Afinal, qual é o hino do Rio Branco?

Oficialmente, são dois.

Do primeiro, só encontramos até hoje a letra, a partitura e a melodia, e é difícil encontrar hoje quem saiba cantá-lo como era a gravação original. Geraldo Miante, que faleceu há dois anos, sabia.

Com letra de Gomes de Almeida e música de Germano Benencase, este hino do clube é de 1917. 

O hino original foi considerado, em 1995, pelo Conselho Deliberativo, de “honra e tradição”, passando a fazer parte da galeria de troféus do clube. Ficava em um quadro com vidro na sede social, na antiga sala de troféus.

Em 1995, uma composição do já falecido Oseias Sass foi escolhida em um concurso e passou a ser, oficialmente, o novo hino do clube. É essa música que a torcida canta hoje no estádio.

Há ainda uma marchinha, criada por Claudio Froner, que se popularizou nos anos 1980 e é frequentemente colocada como um dos hinos do Rio Branco. A letra também é cantada pela torcida no estádio (“Alvinegro imponente, lutando com a bola nos pés…”).

No entanto, a canção nunca foi reconhecida pela instituição como um hino, embora tenha se popularizado entre torcedores, rádios e emissoras de televisão.

Letra do primeiro hino da história do clube, composto por Germano Benencase em 1917

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A pesquisa que resultou no site "Almanaque do Tigre", além de outros trabalhos como o filme "Tigre de Americana - Uma paixão centenária" e o livro "Almanaque do Rio Branco - O Embaixador de Americana", foi extensa. Foram décadas consultando jornais, edição por edição, e colhendo informações. Foram centenas de entrevistas com jogadores e técnicos, que gentilmente cederam fotos ou vídeos ao acervo.

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O acervo fotográfico deste site é composto por imagens pertencentes aos acervos de Claudio Gioria e Gabriel Pitor, além de fotografias produzidas pelos fotógrafos Juarez Godoy e Christian Guedes.

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