Filho de Raphael Vitta e Maria Diniz, Décio Vitta nasceu em 29 de novembro de 1920, em Villa Americana, em uma família com raízes locais desde que seu avô, Luciano Vitta, chegou ao distrito, por volta de 1910, para trabalhar na empresa elétrica da família Müller. Quatro filhos de Luciano deram início a uma forte ligação da família com o Rio Branco Esporte Clube, o que marcaria também a vida de Décio: Domingos, Paschoal, Alfredo e Raphael – os três últimos integraram as equipes bicampeãs do interior em 1922 e 1923. O outro filho de Luciano, Carlos, seguiu outra profissão e manteve uma oficina de sapateiro na Rua Carioba.

Raphael, além de atleta do Rio Branco, trabalhava como representante comercial e integrava o Partido Constitucionalista, inclusive fazendo parte da Junta Governativa que assumiu o comando da Prefeitura de Americana após a Revolução de 30. Raphael morreu novo, aos 39 anos, em Catanduva, na noite de 21 de setembro de 1936, vítima de hemorragia cerebral. Seu corpo foi encontrado em via pública e posteriormente identificado, sendo trasladado para Americana, onde foi sepultado.
Maria Diniz teve participação também na história do Rio Branco. Nos anos 1920, era responsável por lavar os uniformes dos jogadores, lustrar as taças e cuidar do gramado do campo da Rua Fernando Camargo. Moradora de Carioba, mantinha relação próxima com a rotina esportiva do município.
Décio Vitta cresceu próximo ao antigo campo do Rio Branco na Fernando Camargo (morava atrás do gol do lado oposto da entrada). Atuou no time juvenil como lateral-direito e envolveu-se na administração do clube ainda nos anos 40, ao integrar a Comissão de Esportes do clube como assistente da secretaria e da tesouraria. A partir daí, frequentaria aquelas dependências até o seu falecimento. Trabalhou por 42 anos como contador da Citra (Cooperativa Industrial de Tecidos de Rayon de Americana).

e lavava os uniformes dos jogadores nos anos 20

Na política, foi um dos fundadores do PDC de Americana. Pelo partido, elegeu-se vereador em 1963, com 435 votos. Em 1968, já filiado ao Arena, foi reeleito com 505 votos. Em 1972, foi candidato a prefeito pelo Arena, sendo o segundo mais votado do partido com 3.783 votos, atrás de Amílcar Tanganelli (6.147) e à frente de Jairo Azevedo (1.542). Na soma de votos, o MDB venceu o Arena e, com isso, Ralph Biasi, o mais votado do partido, foi eleito prefeito.
Voltou então a disputar a eleição para a Câmara e foi o candidato mais votado do Arena nas eleições de 1976, com 1.011 votos, sendo reeleito em 1982, pelo PDS, com 702 votos (o quinto mais votado do partido), em uma eleição com apenas cinco vereadores conseguindo a reeleição. Em 1988, a última eleição que disputou, concorreu pela coligação PTB-PDS e, com 175 votos, não conseguiu um novo mandato.

Exerceu, assim, mandato em quatro diferentes legislaturas em um intervalo de 24 anos, entre 1964 e 1988. E foi na primeira dessas legislaturas, no turbulento ano de 1968, que acabou assumindo a prefeitura por ser o presidente da Câmara durante dois processos de cassação de João Romano, prefeito em exercício devido ao afastamento de Jairo Azevedo.
No segundo processo de impeachment sofrido por Romano, presidente da Câmara que exercia o cargo de prefeito, Décio Vitta teve a sua primeira passagem relâmpago pela prefeitura. Romano foi cassado em 19 de março de 1968 e o decreto legislativo entrou em vigor naquele mesmo dia, com Décio Vitta assinando o termo de posse como prefeito às 12h. João Romano então conseguiu decisão judicial que o reconduziu ao cargo, reassumindo no dia 20, às 15h.
Em 3 de junho de 1968, em novo processo legislativo, Romano foi cassado pela terceira vez. No dia seguinte, Décio Vitta, presidente da Câmara, deveria tomar posse, mas não compareceu, provavelmente por já ter conhecimento de uma nova decisão judicial favorável a Romano, que reassumiu o cargo no dia 5, às 16h55.
Esse terceiro processo teve desdobramentos que fizeram com que Décio Vitta voltasse a ocupar a cadeira de prefeito. A liminar que mantinha Romano na prefeitura foi cassada na Comarca de Santa Bárbara d’Oeste e, em 12 de outubro, às 10h, Décio Vitta voltou a tomar posse, assinando o termo no gabinete do prefeito. Desta vez, teve tempo suficiente para suspender, naquele mesmo dia, o pagamento determinado na véspera por Romano, de 200 milhões de cruzeiros, por uma propriedade a ser desapropriada para a abertura de trecho da Avenida Dr. Antônio Lobo. A “nova gestão” de Vitta durou pouco mais de dois dias, já que, após nova decisão judicial, Romano foi reconduzido ao cargo às 14h do dia 14 de outubro.
Dias depois, João Romano pediu licença da prefeitura para disputar a eleição a vereador. Pela ordem sucessória, Décio Vitta assumiria novamente, mas renunciou ao comando do Legislativo em 24 de outubro porque, assim como Romano, seria candidato à reeleição para vereador. O vice-presidente Jayr de Camargo assumiu a presidência da Câmara, mas também não desejava ocupar o Executivo pelo mesmo motivo. Javerte Galassi foi então eleito presidente da Câmara e tomou posse como prefeito.


Em meio aos seus mandatos como vereador, Décio Vitta presidiu o Conselho Deliberativo do Rio Branco durante toda a década de 1970. Entre 1980 e 1982, foi presidente do clube. Foi um dos grandes responsáveis pela construção do estádio do clube a partir do final dos anos 60, com o Riobrancão sendo inaugurado em 1977. Em 8 de dezembro de 1986, o Conselho aprovou, por unanimidade, a denominação de Estádio Décio Vitta. Durante a reunião, Décio se emocionou, agradeceu a homenagem e afirmou que tudo o que havia feito pelo clube fora por dedicação ao Rio Branco. Quando chegou em casa, avisou a família da homenagem, e chorou.

Décio foi diretor de futebol no ano do primeiro acesso e presidente por dois mandatos
Décio Vitta morreu em 26 de fevereiro de 1990, às 18h10, no Hospital São Francisco, após sofrer infarto fulminante na sala de jantar de sua residência, na Rua Gabriel Idálio de Camargo, nove dias depois da morte de seu irmão, Rubens Vitta, o Rabicó, que também foi jogador do Rio Branco. Décio foi sepultado no dia seguinte, no Cemitério da Saudade. Deixou a esposa, Odila Pigato Vitta, e quatro filhos – um deles, Raphael, o Minão, seria também presidente do Rio Branco, entre 1996 e 1999, em dois mandatos consecutivos.
Em reunião do Conselho Deliberativo do Rio Branco realizada em 11 de abril de 1990, foi aprovada a instalação de um busto de Décio Vitta no estádio. A homenagem foi inaugurada em junho do mesmo ano, com a presença de familiares.

batismo do estádio do Rio Branco com seu nome no ano anterior


