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Almanaque do Tigre
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1981

Abrindo os cofres

O Rio Branco começou cedo a pensar em formas de sustentar o seu futebol em 1981 para não repetir as duas tímidas participações que havia tido na Segundona depois da reativação de seu futebol. Em outubro de 1980, lançou uma campanha para arrecadar dinheiro para investir na montagem do time de 1981.

A campanha não tinha ligação alguma com o futebol. Era um carnê, com pagamento mensal de mil cruzeiros, que dava ao portador o direito de concorrer a prêmios. A meta era vender mil carnês e usar o dinheiro para contratar jogadores. Em entrevista para O Liberal (26-10-1980), o diretor Roberto Faé revelou que o início da campanha havia sido um sucesso, com cerca de 500 carnês vendidos.

A formatação do comando do futebol passou por uma decisão importante em novembro de 1980. Em meio à polêmica entre os investimentos na área social e no futebol, o clube projetou um departamento autônomo de futebol comandado por Arley Gelmini, com carta branca para decidir o que quisesse quando o assunto fosse futebol.

A diretoria mandaria para o futebol de 300 a 400 mil cruzeiros, que se juntariam aos 700 mil estimados com a venda do carnê mensal, à renda dos jogos e às publicidades no estádio. Isso formaria o sustento do futebol, com previsão de chegar a 1,4 milhão, valor suficiente para montar um time bem diferente daquele de 1980, visando ao acesso.

Em um Riobrancão lotado, o Tigre posa para foto antes de enfrentar o Paulista, em 15 de março de 1981: Nicolino, Zé Rubens, Silvinho, Jorginho, Somer, Bracali, Luís Carlos e o massagista Índio (em pé); Raimundinho, João Luiz, Nestor, Fio e Osnir (agachados)

A busca por dinheiro era incessante e teve um capítulo impensável anos depois. O vereador Décio Vitta, presidente do clube, protocolou um projeto de lei (1-12-1980) para que a prefeitura destinasse 500 mil cruzeiros para o futebol do clube, “que tem propiciado lazer a milhares de americanenses e colocado em destaque, no setor esportivo, a nossa cidade”. Apenas pouco mais de três horas depois, o prefeito Waldemar Tebaldi enviou à Câmara uma mensagem pela qual autorizava o crédito, apontando que a dotação orçamentária para isso sairia dos “Encargos Gerais do Município”.

Buscando então uma aprovação rápida, já que queria usar o dinheiro para contratar um centroavante junto ao Aliança (o nome não foi revelado), representantes do clube e cerca de outras 100 pessoas foram à Câmara para que o projeto já fosse votado no mesmo dia. O clube queria evitar as exigências do regimento interno para um projeto, como a publicação prévia, para que entrasse em regime de urgência.

O projeto acabou sendo votado três dias depois (4-12-1980), sendo aprovado por unanimidade. O vereador Clovis Zalaf declarou-se impedido de votar por ser sócio patrimonial do clube, mas o presidente da Casa, Vicente Sacilotto Netto, afirmou que isso não era problema. Assim, o único que se absteve foi o autor do pedido, Décio Vitta. Nada que mudasse algo, já que os outros 13 vereadores aprovaram o valor, apenas com uma emenda de Aparecido Castilho que nem constava no projeto original: a obrigação de o clube prestar contas em 180 dias sobre o destino do dinheiro.

Não foi o único relacionamento polêmico do Rio Branco com o poder público naqueles tempos. Pouco tempo depois (16-5-1981), Tebaldi enviou um novo projeto à Câmara para abrir um crédito suplementar de 3 milhões de cruzeiros para o orçamento do Decet, o Departamento de Esportes da prefeitura, a ser destinado ao Rio Branco em seis parcelas. A destinação era clara: contratar reforços. Tebaldi depois retiraria esse projeto alegando falta de caixa, mas para vereadores isso aconteceu pela pressão da imprensa.

O relacionamento também acontecia com o governo do estado. Aproveitando-se da proximidade entre Tunda Cia, diretor do clube, e seu sobrinho Milton Elias Ortolan, assessor direto do deputado Artur Alves Pinto, chefe da Secretaria do Interior do governo do estado, o Rio Branco pediu ajuda para viabilizar a iluminação do Riobrancão.

Uma comitiva foi a São Paulo com todas as informações do estádio, e a estimativa de Décio Vitta era que 3 ou 4 milhões de cruzeiros seriam suficientes para iluminar o estádio. Alves Pinto acreditava que isso não seria suficiente e orientou o clube a consultar empresas especializadas, já que estimava a obra na casa dos 10 milhões de cruzeiros.

Era esse de fato o valor e o estado aceitou, no final de maio, enviar a verba para o clube, em três pagamentos: o primeiro de metade do valor e os outros dois sendo liberados mediante a prestação de contas do pagamento anterior. No entanto, não existia previsão legal para que o dinheiro chegasse diretamente ao clube, e o vereador Décio Vitta precisou encontrar – e encontrou – uma solução.

O dinheiro seria destinado à prefeitura para reforma da Praça Comendador Müller, obra com dotação orçamentária para aquele ano. A prefeitura então mandaria um projeto para a Câmara cancelando essa dotação e prevendo o repasse para o clube. Foi o que foi feito, mas, quando o projeto chegou à Câmara, a Comissão de Justiça da Casa o considerou ilegal, já que destinava o dinheiro para a iluminação do estádio e isso representava enriquecimento de um patrimônio particular, algo que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) já tinha jurisprudências de reprovação de conta.

Tebaldi então retirou o projeto e apresentou outro, sem especificar a destinação do dinheiro para a iluminação do estádio. O novo projeto previa o auxílio ao clube mediante “três apresentações futebolísticas gratuitas”. Sem parecer de ilegalidade, o projeto seguiu para plenário e foi aprovado.

Vitta havia nomeado (2-7-1981) uma comissão no clube para cuidar do assunto, responsável também por corrigir junto à prefeitura falhas de iluminação na Avenida Carmine Feola, que ainda tinha postes no meio da rua. E o clube ainda dependia do andamento do loteamento ao lado do estádio cujas ruas estavam sendo abertas para, só depois, a prefeitura permitir a sua iluminação.

Torcida do Rio Branco em um jogo no Riobrancão nos anos 80

Sem ser mais uma verba “carimbada”, o dinheiro foi mais um que o Rio Branco usou em uma temporada de muitos gastos. O dinheiro não foi usado na iluminação do estádio, que tinha a Ronizan Construtora trabalhando na construção de três novos lances – que poderiam ser cinco dependendo da venda das cadeiras cativas – à direita das cabines de imprensa (à época, no mesmo local onde estão hoje).

O objetivo do Rio Branco era subir. E isso se refletiu no orçamento. Com a chefia de Arley Gelmini, que liderava uma equipe com Xaxá, Nicola Vedrani, o Nicolino, e Tunda Cia, o Rio Branco gastou muito no futebol em 1981.

A folha de pagamento era pesada. Tinha um grupo na casa dos salários entre 65 mil e 75 mil cruzeiros, com Bracali, Zé Luiz, Osnir, Raimundinho, Amauri e Góes, e outro na casa dos 50 mil cruzeiros, com Zé Rubens, Toquinho, Fio, Volmil, Plínio, Jorge Cruz e Nestor. Os bichos por vitória eram de 15 mil cruzeiros. O Bragantino, por exemplo, que chegou bem perto da semifinal, tinha teto salarial de 40 mil, excetuando-se o goleiro campeão do mundo Ado.

A concentração dos jogadores era considerada uma das melhores do interior. Depois de deixarem Carioba no ano anterior, eles ficavam em uma casa alugada por cerca de 50 mil cruzeiros que era da família Zanaga, na Rua Capitão Correa Pacheco. Eram cinco dormitórios, três banheiros, salão de jogos, sala de jantar, sala de TV, cozinha, sala de massagem e outros três dormitórios no fundo, além de quintal e garagem. Tudo distribuído em dois andares. Havia uma suíte, que, para ninguém ficar bravo, foi sorteada (Plínio ganhou e lá ficou até se casar e deixar a residência).

Por um tempo, a comida foi preparada por uma cozinheira que todos chamavam de Tia, até que o clube achou que ela exagerava no sal e acabou dispensando-a. Os jogadores passaram então a comer fora todo dia. Primeiro no Restaurante Bica. Depois, pediram e foram atendidos para que tivessem outra opção, o Restaurante Bom Jesus, no Convívio.

A prioridade total ao futebol causou descontentamento no clube. Em reunião no Conselho Deliberativo (24-11-1981), Décio Vitta chegou a bater boca com o conselheiro Carlos Barbosa, que reclamou dos gastos com o futebol em detrimento do restante do clube. Não havia dinheiro para as modalidades amadoras – o time bicampeão estadual de hóquei sobre patins já havia reclamado – e sócios protestavam contra os poucos eventos realizados na sede social.

Naquela noite no Conselho Deliberativo, em meio aos ânimos mais exaltados, foi para votação a continuidade do futebol do clube após apenas três temporadas, e os conselheiros decidiram pela manutenção. Dias antes, esses mesmos conselheiros haviam negado um pedido de Décio Vitta, que chegou a apresentar uma carta de desligamento do clube, mas acabou continuando no comando.

Em campo, o time fez sua melhor temporada após a reativação do futebol, mas aquém do esperado pelo alto investimento. Após uma boa 1ª fase, o Tigre chegou à última rodada do octogonal final do 1º turno empatado em pontos com o Santo André, mas em desvantagem no saldo de gols.

O Décio Vitta viveu então um de seus grandes momentos. Mais de 12 mil pessoas assistiram à vitória sobre o Nacional por 1 a 0. Fim de jogo e a torcida invadiu o gramado para comemorar o título do 1º turno, já que o Santo André empatava com o Saad. Mas o Ramalhão balançou as redes aos 49 do 2º tempo e ficou com o título. O gol foi anunciado no Décio Vitta, para decepção geral. O Tigre voltou a disputar o octogonal decisivo do 2º turno, mas acabou eliminado quando ainda restavam três rodadas.

Nas arquibancadas, a Garra do Tigre consolidou-se à época como a principal torcida organizada do clube. Os integrantes da organizada reuniam-se não muito longe do estádio, já que tinham sede no Bar do Galo, na Avenida 9 de julho, 873.

Dois outros fatos merecem registros em 1981. Primeiro, a morte, aos 33 anos (23-4-1981), de Cícero Leite da Silva, o Índio, massagista do clube. Ele seguia com a sua Belina pela Avenida Santa Bárbara, às 19h30, quando perdeu o controle e bateu em um ônibus da Auto Viação Americana (AVA) que estava no acostamento para o desembarque de passageiros, perto da Cartonagem Modelo. Índio estava no clube desde agosto de 1980, após trabalhar como massagista em Piracicaba e, no ano anterior, no União Barbarense. O velório aconteceu na concentração do Rio Branco.

Um segundo acidente não teve final trágico (28-11-1981). Um garoto caiu do trampolim de 3 metros da sede social e sofreu escoriações por todo o corpo em um dia de piscina lotada devido ao calor.

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