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1982

A estreia de Afrânio

Foi a melhor temporada do Rio Branco nos quatro anos de 2ª Divisão depois da fusão com o AEC. Mas o começo foi ruim. O Rio Branco perdeu os cinco primeiros jogos do campeonato. O último da série, os 5 a 2 para o Derac (4-4-1982), derrubou o técnico João Avelino, que havia acabado de assumir o time no lugar de Muca, o qual, por sua vez, havia caído no mês anterior (21-3-1982).

Começaria então a carreira de um técnico que entraria para a história do clube anos depois. O veterano jogador Afrânio Riul, perto de completar 33 anos, havia sido contratado para ser o ponta-esquerda do time (3-2-1982). Foram sete jogos até que João Avelino perdeu o emprego e a diretoria decidiu apostar em Afrânio como técnico interino, a princípio por pouco tempo porque Jair Bala já havia se reunido com dirigentes do Tigre (6-4-1982) e assinaria contrato nos dias seguintes.

Jair Bala nunca assinou esse contrato e a carreira de treinador de Afrânio Riul começava de fato. Comandando seus companheiros, levou o time a seis vitórias seguidas em seus seis primeiros jogos, o que deixou a equipe classificada para o quadrangular final do turno, quando conseguiu apenas a 3ª colocação. No returno, o time fechou sua série na ponta, com quatro pontos de vantagem sobre o 2º colocado, o Primavera.

No quadrangular final do returno, o time chegou à última rodada precisando vencer o Primavera (12-10-1982). Não só o venceu, como o massacrou, por 6 a 0, diante de cerca de 25 mil pessoas, segundo relatos da época (não houve cobrança de ingresso e o público não foi contabilizado oficialmente). Seria esse o recorde extraoficial de público do Décio Vitta.

Na decisão do 2º turno contra o vencedor da outra série, o Tigre conseguiu um bom empate em 1 a 1 com o Mogi Mirim (17-10-1982), fora de casa, em um jogo tenso, com brigas entre torcedores. A torcida do Rio Branco seguiu para Mogi em 20 ônibus e nem todos conseguiram voltar assim. Um deles foi o operário Heydi Rodrigues, 34, morador da Vila Mathiensen, cuja notícia que circulou por Americana foi a de que teria morrido no vestiário.

Sob olhares de Nicolino (à direita), Baitaca, Paulo Cardoso e Clayton sobem ao gramado em 1982

Heydi pagou Cr$ 500 para ir com a Fiel Torcida do Tigre, que levou cerca de 40 torcedores a Mogi. Estava na bateria da torcida quando a briga começou. Acabou sendo golpeado e caiu, levando um chute na cabeça em seguida. Sangrando bastante, tentou, sem sucesso, pular o alambrado para fugir da briga, mas não conseguiu. Encontrou então uma forma de entrar no gramado ao saltar o portão do lado do vestiário. Entrando em campo, desmaiou.

O operário acordou já no hospital, foi até a delegacia e conseguiu arrumar dinheiro com radialistas para voltar pra casa. Um policial o levou à rodoviária e, apenas de calção, sem camisa, foi colocado em um ônibus para Campinas. Lá, ainda tinha dinheiro para pegar um ônibus rumo a Americana. Chegando em sua cidade, precisou arrumar dinheiro emprestado para chegar em casa, às 23h, seis horas após o fim do jogo.

Apesar do bom resultado fora de casa, o Rio Branco acabou eliminado ao ser derrotado por 1 a 0 na volta (24-10-1982), com gol de Arlindo aos 38 do 2º tempo, resultado que garantiu vaga na decisão do Grupo Branco ao Mogi.

O futebol na temporada foi gerido pelo que ficou conhecido como Grupo dos 12, que na verdade nunca teve 12 participantes ativos. No final da temporada, eram apenas oito (Pedro Francischangelis, Armindo Borelli, Edison Fassina, Savio de Oliveira, João Bellan, Aldo Morelli, Nicola Vedrani e João Correa). Ficaram pelo caminho outros três (Roberto Faé, João Califórnia e João Feltrin), que se afastaram ou por questões particulares ou por motivos de saúde.

Esse grupo montou o maior elenco do Rio Branco depois da reativação do futebol, três anos antes. Foram 28 jogadores sob contrato, um a mais que no ano anterior. Em 1979, foram 23 e, em 1980, 21. Ao final da temporada, prestaram contas ao presidente Décio Vitta mostrando que o clube não tinha um centavo de dívida, o 13º de todos estava quitado e pendências em relação ao uniforme do ano anterior também. Todos apresentaram carta de demissão (30-12-1982), já que o clube teria eleição no início do ano.

Mas o trabalho não foi fácil. Em maio, Borelli, um dos líderes do Grupo dos 12, mostrava a preocupação com as contas, dizendo que o clube precisava de vários tipos de ajuda e revelando que “um político” da cidade, sem citar o nome, havia dado Cr$ 1 milhão ao clube. O valor era quase suficiente, por exemplo, para pagar o empréstimo até o fim do ano, por Cr$ 1,2 milhão, de três campeões da Segundona pelo Santo André no ano anterior: Tutu, Sony e Dodô.

A boa fase também ajudava o Rio Branco a ter boas rendas, como a maior já registrada desde a volta ao profissionalismo até então, um amistoso contra o Palmeiras (16-5-1982) que atraiu 10.595 torcedores. Apesar da derrota por 1 a 0, o Rio Branco até pagou bicho aos jogadores, Cr$ 5 mil cada, pela renda acima do esperado, de Cr$ 3.092.200.

Grandes jogos como esse escancaravam as deficiências do Estádio Décio Vitta. Borelli calculou que a renda desse jogo poderia chegar tranquilamente aos Cr$ 3,8 milhões se não fossem os penetras que entraram sem pagar. Isso porque o Décio Vitta ainda não tinha muro em seu entorno, e não era tarefa das mais complicadas assistir ao jogo no barrancão ou em outro lugar das redondezas sem pagar ingresso.

Naquele mesmo mês, dias antes, o Rio Branco fechou contrato com duas empresas – Lajes Americana e Conempa Construtora e Empreiteira Americana – para construir dois lances de muro de três metros de altura em torno de toda a área do estádio. Eram quatro quilômetros de muro, com previsão de término de seis meses e viabilização através de uma campanha – que já tinha adesões –, na qual cada empresa participante pagava um pedaço da obra e em troca explorava placas de publicidade no estádio.

Décio Vitta, ao lado do ex-prefeito de Americana Abdo Najar (à direita), chegando no Riobrancão para a visita do então governador de São Paulo, José Maria Marin, ao Rio Branco, em 1982
José Maria Marin (camisa escura) recebe uma camisa do Rio Branco na visita que fez ao clube como governador do estado, em 1982

Outro problema do estádio era a invasão que a cativa sofria em dias de jogos, sem qualquer separação para a arquibancada, o que gerava reclamações dos proprietários. O clube iniciou, em outubro, a ampliação das cativas – de 500 para 1.500 lugares – e as separou com ferro dos últimos nove degraus do lance central, estes sem cadeiras, que se transformaram em um setor chamado de numerada, com preço diferenciado em relação à arquibancada normal. Para quem gostava de ver jogo no barrancão, o clube, atendendo a pedidos, cortou um grande eucalipto que prejudicava a visão de quem por lá ficava.

O Rio Branco percebeu, em 1982, que não poderia manter o futebol e esquecer completamente o associado, que ajudava a pagar as despesas do clube, e por isso começou a investir na sede náutica, o então Clube de Caça e Tiro, em busca de ampliar seu quadro associativo e consequentemente a receita mensal. O objetivo era passar de 1,8 mil para 8 mil sócios em pouco tempo.

Dos Cr$ 4 milhões que vinham dos sócios, metade era usada para cobrir a folha de pagamento do clube, que pouco oferecia aos associados e que, por isso, via a inadimplência aumentar mês a mês. Para mudar isso, o Conselho Deliberativo aprovou, no fim do ano, anistia total a quem devia e criou o título familiar, para marido, mulher e filhos. Os associados solteiros pagariam metade desse valor.

No final do ano (13-10-1982), a diretoria começou a gramar os três minicampos construídos na sede náutica e anunciou definitivamente o fim da prática de tiro no local, com as pedanas dando lugar, a curto prazo, a uma nova estrutura poliesportiva, com quadras sendo construídas no local.

“O tiro é um esporte de pessoas de classe alta de Americana. É um esporte muito caro e requer do clube relatórios quase que semanais sobre o destino dos cartuchos utilizados e adquiridos junto à confederação”, justificou Décio Vitta para O Liberal, ao anunciar o fim da prática da modalidade.

Quem deixou o clube em 1982 foi Orlando Cremasco, que trabalhava nas categorias de base. Ele pediu demissão (10-2-1982) após desentendimentos internos, quando ocupava o cargo de supervisor amador e havia sido técnico dos Tigrinhos. Gilberto De Nadai assumiu em seu lugar.

Pelo segundo ano seguido, o Rio Branco perdeu um massagista em um acidente de carro. Depois da morte de Índio em 1981, desta vez a vítima foi Mário Luiz de Camargo, 20, massagista auxiliar do clube. Conhecido como Gordo, morava com atletas na república da Rua Capitão Correa Pacheco e foi com o zagueiro Cidão a um baile no Clube Veteranos (13-9-1982). Ao sair, foi atravessar a Avenida Paulista e acabou atropelado. Socorrido por Cidão, chegou ao hospital com vida, mas não resistiu e morreu no dia seguinte (14-9-1982).

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