Um nome para o estádio
Há anos já se pensava em um nome para batizar o Riobrancão, mas a ideia nunca havia sido levada a cabo. Inaugurado em 1977, o estádio passava, ano após ano, por melhorias, de forma lenta – como também foi todo o processo de construção –, de acordo com as condições financeiras do clube.
Depois de uma participação discreta na 2ª Divisão de 1986, o Rio Branco resolveu enfim batizar a sua casa. Na penúltima reunião do ano do Conselho Deliberativo (8-12-1986), o conselheiro, diretor de obras e ex-presidente do clube Décio Vitta se surpreendeu com a notícia: o clube havia decidido dar seu nome ao estádio que havia ajudado – e muito – a erguer.
“Todo o Conselho, desde o começo do ano, estava empenhado nesta decisão e acho que o senhor Décio Vitta merece ficar na história do clube”, justificou o presidente do órgão, Reinaldo Bernardi. O próximo passo seria providenciar uma placa e um busto no estádio para o ex-contabilista da Indústria Citra, que fazia parte da Comissão de Obras do clube havia anos e que estava em seu 19º ano como vereador de Americana.
As obras seguiam no estádio e o clube preparava a construção de cinco novos lances de arquibancada, com capacidade para 5 mil pessoas, do lado direito das cabines de rádio e TV (localizadas no mesmo local onde estão hoje). Mesmo antes das obras, o clube mobilizava-se para vender 100 novos títulos de sócios para viabilizá-las.
O clube também falava, em agosto, sobre a possibilidade de construir um novo campo, anexo ao gramado do estádio, para treinos em uma área que já havia passado por terraplanagem, uma obra que foi, ao longo dos anos, constantemente cogitada, mas nunca realizada.

O Rio Branco iniciou a temporada, sob o comando de Fred Pantano e de seus vices João Batista Feola e Jacó Amádio, anunciando (3-1-1986) um benefício para o sócio que estivesse em dia com a mensalidade: pagar preço de arquibancada e poder ficar na cativa, onde cabiam mil pessoas.
Ainda em janeiro, o supervisor Carlos dos Santos foi demitido. Segundo Tunussi, havia compromissos no final do ano que cabiam ao supervisor e não foram cumpridos, como a organização da segurança em bailes. A demissão foi avalizada pelo Conselho Deliberativo. O clube ainda vendeu o passe do goleiro Marquinhos (10-1-1986) ao Mogi Mirim, por Cr$ 90 milhões, valor considerado baixo.
A estimativa da nova diretoria para a temporada era que 25% da arrecadação total do clube seriam destinados para o futebol, que, além destes Cr$ 60 milhões mensais, teria mais Cr$ 40 milhões das rendas dos jogos. No comando do futebol pelo segundo ano seguido, Tunussi, que passou a ter ao seu lado Lairço Pegorari e Reginaldo de Mazzer Papa, começou o ano reclamando dos valores pedidos pelos jogadores para renovar e ameaçando não renovar com ninguém.
A política adotada pelo Rio Branco era tentar, ao máximo, promover jogadores dos times de baixo e trazer de volta outros atletas jovens do clube que estivessem emprestados. Tudo para reduzir despesas. Pantano chegou a pedir pessoalmente ajuda financeira ao prefeito Carroll Meneghel (26-2-1986), que descartou qualquer verba ao futebol profissional, abrindo outras possibilidades de apoio.
O Rio Branco também criou outras fontes de receita, como por exemplo a abertura de concorrência com edital publicado no jornal O Liberal (23-2-1986) para exploração de bar e sauna da sede social. Entre outras exigências, previa proposta mínima de Cr$ 5 milhões mensais.
O que ajudou a fazer 1986 um ano tranquilo financeiramente foi que, pela primeira vez, o Rio Branco teve, em uma mesma temporada, dois patrocinadores de camisa, que por um período se intercalaram. O clube chegou a disputar partidas com o patrocínio de um deles na camisa de goleiro, enquanto as restantes estampavam a outra empresa.
O primeiro acerto (24-4-1986) foi com a Feltrin – Irmãos Cia Indústria Têxtil. Pantano não revelou os valores, apenas disse que eram suficientes para manter o time até o final da 2ª Divisão. O segundo foi assinado quatro meses depois (22-8-1986), quando Pantano se reuniu com os diretores Tyrone Furlan e Cláudio Dahruj para oficializar o patrocínio da têxtil Dahruj.
Em campo, o Rio Branco começou bem a 2ª Divisão. Ao final da 1ª fase, tinha a segunda melhor campanha do grupo Branco, atrás apenas do União São João. Na estreia na 2ª fase, o Tigre bateu o Primavera e deu a falsa impressão de que poderia brigar pela vaga, mas, nos outros cinco jogos, o time marcou apenas um gol e não venceu mais, ficando sem chances de classificação já na penúltima rodada.
Ainda no primeiro semestre (21-5-1986), o Rio Branco passou a ter um novo supervisor de futebol, o recém-aposentado árbitro José Luis Guidotti, de Piracicaba. Era a estreia dele na função, após indicação do técnico João Leal Neto, que havia acabado de assumir a função e conhecia Guidotti desde 1970, quando participaram da escola de árbitros da federação.
Guidotti havia sido juiz por 15 anos e desistiu da arbitragem depois de uma confusão no duelo entre Palmeiras e Santo André, em 19 de março daquele ano. Aos 42 minutos do segundo tempo, Wladimir, do Santo André, chocou-se com o goleiro Ivan. Um lance aparentemente normal, mas que Guidotti entendeu como pênalti. Revoltados, jogadores do Palmeiras cercaram o juiz e impediram a cobrança.
O jogo ficou 23 minutos parado, com torcedores ameaçando invadir o gramado, e Guidotti resolveu reiniciar a partida marcando falta a favor do Palmeiras. A confusão recomeçou e ele acabou encerrando a partida. Foi para a geladeira e, dois meses depois, resolveu aceitar o novo desafio.
Ao final da temporada, com o relacionamento já desgastado e não se entendendo mais com Pantano, Tunussi foi demitido (30-11-1986) após comandar o futebol do clube por dois anos. Dias depois (4-12-1986), Pantano anunciou o seu substituto, o empresário Rubens Fausto Rosalem, 40, que havia colaborado com o AEC em 1978 e tinha uma empresa de transporte.
O ano ficou marcado por acidentes de carro envolvendo personagens do clube. Um deles foi o goleiro Jonas. O outro, mais grave, envolveu o preparador físico. Fred Smania seguia com a família para Ubatuba (17-10-1986) na Rua Orlando Dei Santi, saída de Americana para a Rodovia Anhanguera, quando parou sua Saveiro para arrumar a bagagem. Um veículo desgovernado atingiu o carro e por pouco não atropelou Smania. A esposa, que estava dentro do carro, sofreu ferimentos na cabeça e fraturou o nariz.
