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Almanaque do Tigre
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1997

A crise bate à porta

Foi em 1997 que o Rio Branco conviveu, pela primeira vez no profissionalismo, com problemas mais sérios de atrasos de salário. O problema veio à tona quando os jogadores se recusaram a fazer pré-temporada em Jaguariúna, apesar de o presidente Minão Vitta, à época, negar que isso tenha acontecido, afirmando que a viagem só não aconteceu, em comum acordo, para não gerar uma despesa a mais.

Minão acabou admitindo depois dívidas na casa de R$ 150 mil relativas a salários atrasados de jogadores (4-2-1997). Atribuía o problema a erros na contratação de jogadores na temporada anterior, lembrando que, dos 15 reforços, só quatro permaneceram no clube até o final da temporada. Além disso, planejava arrecadar R$ 1,2 milhão com a venda de jogadores em 1996, mas só conseguiu R$ 810 mil ao negociar Marcos Assunção.

Parte da dívida foi paga três dias antes da estreia no Paulistão, uma derrota para o União São João por 1 a 0 (8-2-1997), mas o problema continuou. A pedido dos jogadores, o técnico Cassiá reuniu-se com Minão para discutir o assunto (12-3-1997) e aproveitou para, além de cobrar o pagamento, reclamar da falta de um vice-presidente de futebol para tratar desse tipo de assunto.

Os ainda garotos Sandro Hiroshi, Igor, Anailson (acima), Gustavo e Clébson (abaixo) no Décio Vitta

Desde a saída de Pedro Francischangelis no ano anterior, o cargo estava vago. Minão, criticado por centralizar as decisões e se isolar no comando do clube, chegou a convidar dois nomes para a função ao longo do ano. A primeira tentativa foi Geraldo Sacilotto, que recusou o cargo (17-4-1997). Diretor de futebol amador, alegou que não tinha o tempo de dedicação que o cargo exigia. Já no final do ano, com o Conselho Deliberativo cobrando um nome para o cargo, foi a vez de Armindo Borelli dizer não (5-12-1997).

Minão acumulou assim o cargo ao longo da temporada, confiando muito no trabalho que Juraci Catarino, já há muito tempo no clube, desempenhava. Dizia Minão: se Juraci não pudesse resolver algo, que o procurasse, caso contrário, que tomasse as decisões necessárias, pois sabia da plena capacidade do supervisor de futebol.

No futebol amador, o clube perdeu o diretor Carlos Lanza (2-9-1997), que saiu dizendo que o jogador Márcio Teodoro, afastado por indisciplina, havia sido reintegrado por Minão sem o seu conhecimento. Em fevereiro, o técnico dos juniores, Diolei Candido, trocou o Rio Branco pelo América-SP após receber uma oferta que incluía participação nas negociações de jogadores. Os ex-diretores do Rio Branco Edison Fassina e Gilberto De Nadai eram os responsáveis pela base do clube de Rio Preto. O ex-atacante Marcão, americanense que havia defendido Ferroviária e São Paulo, assumiu o posto (27-2-1997).

Depois de sonhar com um acordo com as Casas Bahia, o futebol do Tigre ganhou um novo patrocinador de peso em 1997. Desde janeiro, a diretoria tinha contrato com a Sport Pro, empresa responsável por conseguir patrocínios ao clube. No dia em que o Rio Branco enfrentou e venceu o Corinthians por 1 a 0 no Décio Vitta (6-3-1997), o clube assinou contrato e já jogou com o patrocínio laranja do Ponto Frio nas camisas.

Fred Smania se prepara para dar a largada a Mineiro, Marcelinho, Marcão, Curê e Darci em treino físico no Décio Vitta, em 1997

O patrocínio serviu para aliviar um pouco os problemas financeiros do clube, agravados com as baixas arrecadações durante o Campeonato Paulista. Em toda a competição, o clube teve renda de apenas R$ 246.983, a 15ª pior, à frente apenas do Juventus (R$ 108.461). Um outro problema surgiria nos anos seguintes: o fim do passe, uma das principais fontes de receita do clube. No primeiro dia de 1997, entrou em vigor a primeira etapa desse processo, com a liberação do passe para os jogadores com mais de 30 anos sem contrato assinado com um clube, o que, no Rio Branco, beneficiava apenas Gilson e Carlinhos Capixaba.

Em agosto, a Kanxa renovou contrato por mais um ano, com o fornecimento previsto de 3.145 peças entre camisas, calções, meiões, agasalhos e coletes de treino. A Kanxa havia apresentado, no primeiro semestre (14-5-1997), um terceiro uniforme: uma camisa com listras de meio centímetro em preto e branco intercaladas por uma listra branca de 2 cm, que foi utilizada pelo clube.

Outra fonte de renda veio com o retorno dos bingos ao Décio Vitta. Como o clube tinha débitos com prefeitura e Previdência Social, não tinha autorização da Receita Federal para promover os bingos, o que a Liga Americanense de Futebol tinha. Um acordo entre as partes permitiu a volta dos bingos ao Décio Vitta depois de três anos (26-10-1997). No primeiro bingo, foram impressas 30 mil cartelas que custavam R$ 10 antecipadas e R$ 12 no dia. Eram R$ 70 mil em prêmios, entre eles quatro carros e uma moto.

Em campo, o Rio Branco fez uma campanha razoável no Paulistão. Embora sem conseguir se aproximar da zona de classificação em momento algum, não correu qualquer risco de rebaixamento. Robertinho caiu logo no início do campeonato e Cassiá voltou ao clube, trazendo junto um velho conhecido do Rio Branco, o preparador físico Fred Smania.

Na reta final do Paulistão, Cassiá viveu um de seus dias mais tristes em Americana, com um bate-boca ao vivo com o então vereador Pedro Salvador, do PT. Só cumprindo tabela, o Rio Branco foi derrotado pelo América por 3 a 2, após abrir 2 a 0 (11-5-1997). À noite, o vereador enviou um fax ao programa Cartão Verde, da TV Cultura, com acusações de que o Rio Branco teria entregado o jogo para o América, que lutava contra o rebaixamento. Ele não assistiu ao jogo e baseou-se nos comentários das transmissões de rádio e nos gols que o Rio Branco sofreu para fazer a acusação.

Técnico Cassiá observa Curê passando pela marcação contra o Guarani em 16 de março de 1997

Dois dias depois (13-5-1997), Salvador e Cassiá foram ao programa de esportes da Rádio Clube e o vereador reafirmou tudo diante do técnico e dos jogadores Júlio César e Aritana. Foi uma troca de ofensas, com Salvador, aos berros, chamando o técnico de canalha e forasteiro, enquanto Cassiá tentava manter o tom de voz, mas sem deixar de colocar em dúvida como Salvador havia conseguido seu segundo mandato como vereador. “Você sujou o nome de Americana em todo o país” e “fiz muito mais por Americana do que você” foram algumas das afirmações de Cassiá, que chorou ao final do programa ao defender os jogadores. Aritana e Júlio César saíram em defesa do treinador, assim como torcedores que entraram em contato com a emissora. O narrador Jota Júnior, da TV Bandeirantes, entrou ao vivo para também defender o treinador.

Apesar da campanha mediana, o Rio Branco teve o craque do interior, Marcelinho, escolhido em eleição da federação junto ao jornal Diário Popular. O bom campeonato fez Marcelinho ser vendido (24-6-1997) ao São Paulo (no mesmo dia, o Rio Branco emprestou Alexandre ao Tricolor). Por R$ 500 mil, o São Paulo comprou 50% do passe do atacante, que assinou contrato de dois anos. Em 1998, o São Paulo compraria os outros 50%, avaliados em R$ 1 milhão.

Com 34 gols, Marcelinho Paraíba é, ao lado de Lincon, o maior artilheiro do Rio Branco no profissionalismo. Ele comemora gol em jogo da base do Tigre
Marcelinho Paraíba prepara-se para finalizar contra o Araçatuba em 23 de fevereiro de 1997
Com 34 gols, Marcelinho Paraíba é, ao lado de Lincon, o maior artilheiro do Rio Branco no profissionalismo. Ele mostra as suas chuteiras no estádio Décio Vitta

O bom Paulistão não se repetiu no segundo semestre, quando o Tigre voltou a disputar o Brasileiro da Série C. Apostando no técnico Péricles Chamusca, o time fez uma das piores campanhas de sua história. Em seis jogos, foram cinco derrotas e apenas um empate, na estreia, contra o Juventus, rendendo ao clube o 63ª lugar entre os 64 participantes.

No Décio Vitta, o ainda garoto Sandro Hiroshi, campeão sul-americano pela seleção brasileira sub-17, em 1997

Na base, o Rio Branco voltou a tentar a disputa da Copa São Paulo em janeiro, mas a federação só dava a vaga caso Americana fosse sede, o que o clube, com dificuldades financeiras, não aceitou. Mas os garotos do Tigre brilharam de outro jeito. Em março, Anailson e Sandro Hiroshi conquistaram o título sul-americano sub-17 pela seleção brasileira ao derrotar a Argentina na decisão por 2 a 1 (16-3-1997). Sandro foi titular durante toda a competição e Anailson ganhou posição na reta final.

No dia da convocação para o Mundial da categoria (5-8-1997), Sandro se recuperava de contusão muscular, mas o Rio Branco acreditava que ele seria convocado. Não foi, e apenas Anailson seguiu com a delegação para o Egito e voltou de lá campeão do mundo após vitória sobre Gana por 2 a 1. Foi o primeiro título mundial de uma seleção sul-americana no sub-17 e vingou a derrota na final de dois anos antes para a mesma Gana, por 3 a 2. Anailson, que não jogou a final, foi opção de banco durante o torneio e fez um gol, de pênalti, contra a Áustria. Na volta a Americana, desfilou em carro de bombeiros (25-9-1997).

Outro que chegou à seleção foi o lateral Valentim, convocado para a seleção brasileira de juniores pelo técnico Toninho Barroso em abril, para a disputa de um torneio no México, vencido pelo Brasil. O time juvenil do Rio Branco, convidado para disputar, nos EUA, a Dallas Cup, com todas as despesas pagas, acabou eliminado na terceira partida da 1ª fase.

Anailson, na sede do clube, com a medalha de campeão mundial sub-17, em 25 de setembro de 1997

Além dos problemas financeiros, o que mais tirou o sono de Minão em 1997 foi a sede social. Uma briga durante um baile no local resultou na morte de Rogério dos Santos, o TG, 19. Ele foi atingido por um tiro em frente ao clube, na Rua Fernando de Camargo, na saída do baile (31-8-1997).

As sabadeiras e domingueiras já vinham incomodando moradores das redondezas, que reclamavam com abaixo-assinados e denúncias de uso de drogas, brigas e sexo. O som atingia 80 decibéis, segundo o próprio clube, e o limite por lei era de 55, o que fazia o Ministério Público ensaiar uma ação civil pública. O Rio Branco havia gastado R$ 90 mil em um projeto de adequação do salão e iniciado obras de revestimento nas paredes para reduzir o barulho.

A tragédia e todos esses problemas fizeram com que o clube decidisse suspender os bailes no local (3-9-1997), o que significava abrir mão de cerca de R$ 25 mil por mês e ter de administrar um problema com os associados (eram cerca de 4,3 mil que pagavam R$ 32 por mês), com uma opção a menos de lazer. Sem adversário e enfrentando críticas de que teria se isolado à frente do clube, Minão Vitta foi aclamado para um novo mandato de dois anos como presidente do Rio Branco (22-11-1997).

Zagueiro Luís Eduardo descansa ao lado da santa nos vestiários do Décio Vitta em 1997

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