5 a 2 no Palmeiras
Uma goleada por 5 a 2 sobre o Palmeiras do técnico Luiz Felipe Scolari marcou a temporada 2000 do Rio Branco (9-4-2000). Marcus Vinícius, que, no jogo anterior, havia feito os quatro gols do Tigre na vitória sobre o União São João por 4 a 3 (3-4-2000), repetiu a dose contra o Verdão em um dos jogos mais marcantes da história do Décio Vitta.
O Rio Branco, que havia voltado a fazer pré-temporada fora da cidade (dez dias em Serra Negra), conseguiu a classificação para a 3ª fase do Campeonato Paulista na última rodada, com uma vitória sobre o Botafogo. Na briga por uma vaga na semifinal, o Tigre enfrentou Corinthians, Palmeiras e Ponte Preta com a menor cota da federação entre os oito finalistas (R$ 140 mil). Os jogadores, que recebiam bicho de R$ 300 por ponto conquistado, tinham a promessa de bicho de R$ 10 mil para cada, caso levassem o time à semifinal.
Para a fase decisiva, o Rio Branco acertou (28-4-2000) o patrocínio do site brasileiro ffc.com.br, criado pela Zcorp. Os valores não foram divulgados, mas falou-se à época que girariam em torno de R$ 80 mil para os seis jogos. O clube chegou a negociar antes com Casas Bahia e Guilton, empresa de Americana. Ao final dos seis jogos, a vaga não veio, mas o time deixou boa impressão em campo.



Após o imbróglio que envolveu o futebol brasileiro naquele ano e levou à criação da Copa João Havelange, tendo como estopim o caso Sandro Hiroshi, o Tigre tentou uma vaga na 2ª Divisão, mas não apareceu na lista de 34 convidados para o Módulo Amarelo feita pelo Clube dos 13. Acabou recebendo o convite (7-7-2000) para participar do Módulo Branco, o equivalente à 3ª Divisão. No dia seguinte, aceitou. O torneio daquele ano garantia um “acesso imediato”, já que o campeão entraria nas oitavas de final do Brasileirão, o módulo Azul.
Com gastos estimados em R$ 60 mil por mês, o Tigre fez uma grande 1ª fase e disputou a classificação com o Malutrom-PR até a última rodada da 2ª fase, mas acabou derrotado fora de casa pelo rival (18-10-2000), que avançou na competição. Os jogadores não receberam bicho no Brasileiro, por decisão de Pantano, o que gerou descontentamentos no elenco. Para amenizar, o técnico Zé Teodoro, que criava gado, chegou a doar um boi para os jogadores fazerem um churrasco.

Na base, o time de juniores chegou à decisão da Copa Brasil 500 Anos. Após eliminar o União Barbarense na semifinal, enfrentou o Corinthians na preliminar da decisão do Campeonato Paulista entre São Paulo e Santos. No primeiro jogo (10-6-2000), empate sem gols, com Da Silva, do Tigre, sendo expulso. No segundo (18-6-2000), o Corinthians, que jogava pelo empate, fez 2 a 1 e ficou com a taça. Gil passou por quatro rivais para fazer 1 a 0 e Andrezinho ampliou. Osmar, de pênalti, descontou no fim para o time do técnico Diolei Candido, que tinha como destaques Igor, Ludemar e Gustavo.
O apoio de empresas à recém-criada S/A dominou o debate extracampo do Rio Branco durante toda a temporada. No início do ano (5-1-2000), o Conselho Deliberativo do Rio Branco aprovou a adequação do estatuto para que a S/A gerenciasse o futebol até o fim da temporada. Como presidente da Rio Branco S/A, Borelli havia começado cedo a preparação para a temporada 2000. Primeiro nomeou Celso Abrahão como gerente de futebol, único cargo remunerado (28-10-1999). Ele estava na Inter de Limeira. No dia seguinte, Mário Antonucci tornou-se o primeiro diretor da S/A.
Abrahão logo definiu o técnico (1-11-1999), Edu Marangon, e com ele chegaram o preparador físico, Adilson Meneghel, e o de goleiros, Marquinhos Sartore. O auxiliar Chiquinho, ex-lateral, veio uma semana depois (8-11-1999). O clube chegou ao final de 1999 sem parceiros para a S/A, por isso a venda de jogadores foi fundamental para começar cedo a montagem do elenco, que, no primeiro dia de dezembro, já começou os treinamentos.
O acordo era que a S/A só comandaria o futebol após o dia 31 de dezembro de 2000 se tivesse uma parceira. O mandato de Borelli ia até 19 de outubro de 2001, mas, se não conseguisse parceiro, o futebol voltaria a ser comandado pelo Rio Branco Esporte Clube.

A Lei Pelé havia mudado em 2000 e o diretor jurídico do Tigre, José Antonio Franzin, já estudava em agosto pedir o fim da S/A. A legislação deixou de exigir uma sociedade anônima dentro dos clubes e, diante da falta de parceiros, a empresa tornava-se ainda mais inviável porque o clube tinha de arcar com a carga tributária que ela gerava.
Um acordo de intercâmbio de jogadores ajudou a enfraquecer ainda mais a empresa. O Rio Branco assinou contrato com o Caldas-GO (23-8-2000), pelo qual trocariam jogadores profissionais e de base. Borelli logo reclamou que não havia sido avisado do acordo que envolvia o futebol, então sob o seu comando, e exigiu do Conselho Deliberativo uma definição sobre os poderes da S/A dentro do clube. Logo depois, ameaçou deixar a presidência (5-9-2000) devido ao que considerava intromissão.
Foi o que aconteceu. Alegando ingerência, Borelli pediu demissão em reunião do Conselho (3-10-2000), aceitando ficar no cargo até dia 9, quando seria eleito o Conselho Administrativo da S/A. O anúncio do intercâmbio havia sido só a gota d’água. No meio do ano, Borelli havia demitido Abrahão da S/A (31-6-2000), mas o dirigente foi mantido por Pantano no clube. No fim do ano, em dezembro, Borelli teve problemas de saúde e precisou passar por cirurgia cardíaca.

O Conselho Administrativo da S/A foi eleito (10-10-2000), com os presidentes da diretoria, Pantano, e do Conselho, Bartels, ocupando cargos por força do estatuto. Junto a eles, três membros da oposição, Arthur Martins, Sérgio Sega e Jairo Camargo Neves, que derrotaram Edilberto de Paula Ribeiro e Aires Ribeiro. Caberia a eles definir, em um mês, o presidente da S/A. Edson José Bassette acabaria eleito por unanimidade dentro do Conselho de Administração – apenas Bartels não compareceu à reunião – como novo presidente de uma S/A que tinha seus dias contados (26-10-2000).
Pantano já havia assumido a montagem do time para a temporada seguinte, com Ary Cia, Abrahão e Juraci Catarino colocando em prática as ordens do presidente. No início do ano, em entrevista para O Liberal, Pantano havia dito que não teria disputado a eleição se tivesse de tocar o futebol, porque era uma função cansativa e desgastante. Aceitou voltar ao clube justamente porque o futebol estava na S/A e assim poderia fazer um trabalho voltado ao associado, que, para ele, havia sido abandonado pela administração Minão Vitta. Mas lá estava de novo ele, Pantano, à frente do futebol.
O presidente lançou um projeto de marketing (21-11-2000) em busca de investimentos de empresas. O objetivo era reunir 80 empresários em troca de publicidade nas sedes social e náutica e no estádio. O projeto era coordenado por Douglas Baptista.

O clube negociava uma parceria com a marca de relógios Magnum, que não foi para a frente, mas conseguiu assinar contrato de um ano com o Consórcio Embracon (8-12-2000). Durante o Paulistão do ano seguinte, o clube receberia cerca de R$ 35 mil mensais. Em 2000, o Rio Branco teve apoio de uma velha conhecida da iniciativa privada, a Goodyear, que ajudou o clube na instalação de um placar eletrônico no Décio Vitta.
Um acidente marcou a temporada do clube (9-6-2000). O ex-presidente Minão Vitta, 52, dirigia o seu Santana às 23h30 de uma sexta, sentido Capital-interior da Rodovia Anhanguera, quando, na altura do quilômetro 121, perto do acesso ao Iate Clube de Campinas, o ciclista José Marcos da Silva, 29, invadiu a pista. O ciclista foi atingido e o carro capotou. Minão e o ciclista morreram no acidente, assim como o aposentado do ramo têxtil Artêmio Luchesi, 60, que estava no carro com Minão.
