Superando as expectativas

Era um ano que prometia muitas dificuldades, mas 2006 acabou saindo melhor do que a encomenda para o Rio Branco. Com problemas financeiros, o clube já havia decidido, no ano anterior, que não teria qualquer estrela no elenco para o Paulistão e havia aberto mão de ser sede da Copa São Paulo (17-10-2005) para economizar cerca de R$ 70 mil.
Jogaria no grupo de Nova Odessa, mas depois a prefeitura da cidade desistiu por não conseguir viabilizar o que era necessário e, assim, Americana acabou recebendo uma chave.
Além do patrocínio do São Vicente, o clube havia conseguido uma empresa para estampar sua marca nas mangas das camisas, apenas para o estadual. Sem revelar valores, a Têxtil Tabacow fechou contrato (23-12-2005) e fez companhia ao São Vicente na camisa do clube. Logo no início do ano, um dia antes da apresentação do novo uniforme, ambos listrados, o elenco seguiu para pré-temporada em Jacutinga-MG (2-1-2006).
Sob o comando de Ruy Scarpino, o time começou mal o estadual e deu sinais de que não resistiria mais um ano na 1ª Divisão, mas ganhou corpo durante o torneio e terminou na 7ª posição, um ponto atrás do Corinthians. Garantiu assim vaga no Brasileiro da Série C no segundo semestre, quando também decidiu disputar a Copa Federação Paulista.
Sem dinheiro para contratar, o clube repetiu o que havia feito no ano anterior e montou um elenco através de parcerias com empresários. Trouxe Pintado (30-5-2006) para comandar o time na Série C e deixou Marcos Costa com a base da equipe júnior para disputar a Copa Federação.

O time deu vexame na Copa Federação, amargando a lanterna do grupo ao final da 1ª fase, mas muitos dos jogadores, também sob o comando de Marcos Costa, fizeram uma boa campanha no Campeonato Paulista Sub-20.
Depois de perder no jogo de ida da semifinal para a Ferroviária por 2 a 1, o Tigre fez 1 a 0 no Décio Vitta (18-11-2006), com gol do zagueiro Haroldo, e garantiu vaga na decisão contra o Mogi Mirim, rival que já havia enfrentado duas vezes no torneio, com uma vitória e um empate. No primeiro jogo da final (26-11-2006), empate em 1 a 1, com Amaral abrindo o placar e Rafael Chorão empatando para o Tigre.
Precisando vencer para ficar com o título, o Rio Branco saiu atrás no segundo jogo da decisão (3-12-2006), com gol de Paulo Henrique. Haroldo empatou aos 16 minutos do segundo tempo, mas a reação parou por aí e o Tigre ficou com o vice.
Na Série C, o time parou na 2ª fase, mas a campanha ficou marcada pela maior goleada da história dos dérbis contra o União Barbarense, uma vitória do Tigre por 6 a 0 em Santa Bárbara d’Oeste. Para jogar contra a Ulbra, no Sul, o elenco viajou de avião. Foi a última vez que o Rio Branco disputou uma divisão nacional.

Os problemas financeiros seguiram durante todo o ano. Em junho, os atrasos salariais eram de dois meses. Comissão técnica e diretoria chegaram a se reunir (17-8-2006) devido à insatisfação de todos. Cinco dias depois, o clube conseguiu pagar uma folha e, para quem tinha dois salários atrasados, restou apenas um. Parte do acerto aconteceu graças à venda dos direitos de Rafael Chorão a um empresário, Giuliano Bertolucci, por cerca de R$ 150 mil.
A temporada terminou com o Rio Branco, mais uma vez, arcando com os custos do futebol, sem conseguir parceiros. O clube chegou a negociar com a Cosan, que patrocinava o XV de Piracicaba, e falou-se em setembro sobre um possível acordo com a operadora TIM, mas nada se concretizou.
Em 2006, o Rio Branco viu três jogadores que saíram do clube chegarem à Copa do Mundo por três seleções diferentes, casos de Mineiro na seleção brasileira, Marcos Senna na espanhola e Sinha na mexicana.
