O primeiro rebaixamento
O ano foi curto e triste para o futebol do Rio Branco. Após disputar todas as edições do Paulistão entre 1991 e 2007, o clube amargou, pela primeira vez na sua história, o rebaixamento para a Série A-2. Nenhum outro clube disputou todas essas edições do Paulistão – os grandes não disputaram o campeonato de 2002, pois estavam no Torneio Rio-São Paulo.

O técnico Zé Teodoro voltou ao clube (4-11-2006) com a proposta de apostar em jogadores da base para o Campeonato Paulista. Garotos que jogariam a Copa São Paulo depois seriam integrados ao elenco profissional – o Tigre parou na 2ª fase ao perder para o São Paulo por 2 a 0 (17-1-2007).
Antes do início do estadual, o presidente Sérgio Meneghel estimava em R$ 1 milhão os gastos com a competição e calculava a folha de pagamento em R$ 100 mil. Para cobrir os custos, usaria as cotas de TV, cerca de R$ 700 mil, patrocínios e a venda parcelada do atacante Joãozinho ao empresário Delcir Sondas por R$ 300 mil. Mas o dinheiro da federação não entrou nos cofres do clube devido a bloqueios judiciais por ações trabalhistas.
Após uma pré-temporada de seis dias em Jacutinga-MG no início do ano, o time acumulou quatro derrotas nas quatro primeiras rodadas do campeonato. Zé Teodoro caiu e foi substituído pelo ex-goleiro Ruy Scarpino, que também havia acumulado quatro derrotas seguidas, no comando do Santo André.
Tentando fugir das últimas posições, a diretoria, que tinha José Fioque à frente do futebol, não mudou apenas o comando. Seis jogadores saíram, dez chegaram. E o time teve várias chances de deixar a zona de rebaixamento, mas não teve forças e viu a até então inédita queda se confirmar após ser goleado pelo Rio Claro por 4 a 0 (8-4-2007), na penúltima rodada.

No início de maio (9-5-2007), a CBF anunciou tabela e regulamento do Campeonato Brasileiro da Série C sem o Rio Branco. O estado seria representado por Guarani, que caiu da Série B, Bragantino, vice-campeão da Copa Federação Paulista de Futebol do ano anterior, e mais quatro equipes de acordo com a classificação do Campeonato Paulista: Noroeste, Rio Claro, Juventus e Sertãozinho (já contando a desistência do Guaratinguetá).
Como o Rio Branco também não havia conseguido classificação para a Copa Federação (os grupos foram divulgados cinco dias antes e só tiveram vaga os 11 primeiros colocados da Série A-1 – com as desistências, chegou ao 16º, o Sertãozinho), o futebol acabou ficando parado no segundo semestre.
Sem futebol, um dos mais antigos funcionários do Tigre, o gerente de futebol Juraci Catarino, foi “emprestado” (14-5-2007) ao Santo André para a Série B do Brasileiro. Nunca mais voltou. O Tigre ainda teve uma última oportunidade de se manter em atividade no segundo semestre, quando foi convidado para disputar a Copa Energil C (25-5-2007), que estava sendo proposta junto à Federação Paulista por clubes do interior que nada disputariam no segundo semestre. Mas, quatro dias depois, o Tigre recusou, devido aos custos, preferindo jogar apenas o Campeonato Paulista sub-20.

O Estádio Décio Vitta ganhou, em março de 2007, um novo placar eletrônico digital, doado pela Ripasa. Mas ficou no escuro nos últimos três meses do ano após um furto de fios de cobre que causou um prejuízo de R$ 35 mil ao clube.
Além dos graves problemas financeiros, Meneghel teve de enfrentar um pedido de cassação. Encabeçados por José Carlos Pereira, o Carlinhos Folha, outros 11 conselheiros (Argemiro Roberto Leite, Milton Soares de Barros, Pedro Fogolin, Walter Bartels, Fernando Macedo, Antonio Anselmo Araújo, Gilson Molina, Fioravante Gioia Sobrinho, José Francisco Martins, Sérgio Nourival Silveira e Valdir Lopes Azevedo) protocolaram o pedido pelo fato de Meneghel não ter nomeado todos os vices e não ter prestado contas, como previa o estatuto.
Apenas os 12 conselheiros votaram pela cassação na reunião do Conselho, que aconteceu dois dias após sacramentado o rebaixamento (10-4-2007) – foram 34 votos contra a cassação e uma abstenção. Por uma hora, Meneghel explicou que os balancetes não eram apresentados desde 2003 por falta de dinheiro para contratação de uma auditoria. E revelou o tamanho da dívida: R$ 10 milhões, sendo R$ 6 milhões com o INSS, valor depois contestado pelo advogado José Antonio Franzin. Segundo ele, o valor da dívida cairia para aproximadamente metade porque boa parte já estava prescrita.
Em situação complicada, o Rio Branco teve apenas uma chapa, a Movimento Sede Náutica, inscrita na eleição, sendo aclamada para o Conselho Deliberativo do clube (17-11-2007). Dos 36 conselheiros inscritos, 12 tomariam posse em 1º de janeiro de 2008.

O grupo era liderado por Carlinhos Folha, que não assumia candidatura à presidência do clube e dizia que o nome mais indicado à presidência era o de Armindo Borelli. Por sua vez, o ex-presidente afirmava que só seria candidato se tivesse uma empresa para tocar o futebol. Com o rebaixamento, o clube já tinha sido informado (13-11-2007) de que a cota da federação cairia de cerca de R$ 700 mil para apenas R$ 80 mil.
“O clube passou seis anos vivendo de ilusão e mentira, pois muitos falavam em parceria com este ou aquele empresário e nada disso aconteceu. Aos poucos, o Rio Branco foi perdendo a credibilidade”, dizia Borelli, então presidente do Conselho Deliberativo. O mandato de dois anos para o presidente estava mantido apesar da tentativa do conselheiro Sergio Sega, rejeitada pelo Conselho (2-10-2007), de voltar a ser de três anos.
Sem candidato, começou a ganhar força (7-12-2007), dentro do clube, a possibilidade de um colegiado assumir o comando, o que provocou um racha entre os conselheiros. Foi o que aconteceu na reunião que definiria o sucessor de Meneghel (11-12-2007). Ninguém se lançou candidato e Borelli colocou em votação a ideia do colegiado, aprovada por unanimidade pelos 48 conselheiros.
Por 180 dias, a partir de 1º de janeiro de 2008, esse grupo tomaria as decisões no clube e uma eleição aconteceria em julho de 2008. Do colegiado participavam José Heliton Costa, José Carlos Pereira, José Antonio Franzin, Jair Camargo, Reinaldo Bernardi, Mário Tebet, Lourival Arbix, Fioravante Gioia Sobrinho, Artur Martins e o então presidente Meneghel.
Sem adversário, Borelli foi reeleito para a presidência do Conselho, com Bartels como vice. Morreu em 2007, às 7h20 (3-6-2007), o ex-vereador Manoel Mendes, o Neco Mendes, aos 77 anos. Sofria de Alzheimer e estava no Hospital Unimed havia duas semanas devido a uma pneumonia. Pessoa com toda a vida ligada ao esporte de Americana, foi diretor do Rio Branco, inclusive no ano do acesso, em 1990.
