E não é que deu certo?

A temporada 2009 não sinalizava coisas boas para o Rio Branco. O clube havia encerrado o ano com problemas na parceria com a Talent’s Sports, que vinha atrasando salários e desagradando os jogadores. No final de 2008, atletas deixaram o estádio revoltados (22-12-2008) com a empresa, que havia prometido acertar parte dos salários atrasados, mas não o fez.
Os problemas continuaram em 2009. A Talent’s também não se entendia com a imprensa. Irritada pela divulgação da notícia de que os jogadores não treinaram por falta de pagamento (9-1-2009), a empresa resolveu impedir a entrada da imprensa no estádio (12-1-2009). O início do ano projetava um 2009 complicado.


Não foi o que aconteceu e o acesso veio apenas dois anos depois do primeiro rebaixamento. O time encaixou sob o comando do tranquilo Geime Rotta, que assumiu após a saída de Carlos Rabello (6-2-2009), e com Lincon em grande fase.
Fez uma 1ª fase muito boa – passou os 17 primeiros jogos sem perder – e sobrou na fase decisiva, carimbando a volta com uma vitória por 2 a 0 sobre o São José, com o Décio Vitta vivendo uma manhã como havia muitos anos não vivia (31-5-2009).





O Tigre ainda esteve perto de faturar o título, já que bateu o Monte Azul no primeiro jogo da final por 1 a 0 (6-6-2009) e vencia a segunda partida, mas acabou levando a virada, por 3 a 2, e ficou com o vice (14-6-2009).
Acesso garantido, hora de cobrar os salários atrasados, não sem antes uma cena de constrangimento. Na festa do acesso na sede social (16-6-2009), os jogadores receberam premiação que foi arrecadada junto a empresários da cidade após um pedido do presidente Walter Bartels ao prefeito Diego De Nadai ainda durante a 2ª fase.
Após receberem a premiação, Lincon e Cristiano reclamaram em público que a divisão não estava certa. Eles haviam apresentado uma lista de quem deveria ser premiado, mas a Talent’s apresentou outra ao Rio Branco, e foi seguida esta última. Houve um clima de constrangimento entre todos. Nenhum diretor da Talent’s compareceu à cerimônia.



A revolta com a Talent’s era grande entre os jogadores, chegando ao ponto de atletas destruírem placas da empresa no Décio Vitta (13-7-2009). Fora de campo, a diretoria negociava o fim da parceria enquanto Junai se recusava a treinar, dizendo que só o faria quando recebesse os dois meses e meio de salários atrasados.
A parceria que deu errado fora de campo, mas que dentro de campo levou o Tigre à Série A-1, só poderia acabar nos tribunais. O Rio Branco recorreu à Justiça (16-7-2009) para voltar a administrar o futebol, já que a Talent’s nem aparecia mais no clube. No dia seguinte, uma liminar garantiu esse direito ao clube.

Na Copa Paulista, o Tigre brigou pela classificação à 2ª fase até a última rodada, quando precisava vencer o Atlético Sorocaba em casa. Um empate selou a eliminação do Tigre e manteve a sina do clube de não ir bem na competição. O Rio Branco passou o ano inteiro sem perder em sua casa.
No meio do ano, chegou ao fim o mandato-tampão de Bartels à frente do clube. Depois de perder a disputa no ano anterior, Roberto Zacharias, candidato único, foi aclamado pelos conselheiros (30-6-2009) para dois anos de mandato. Houve uma proposta de prorrogação do mandato de Bartels até o final do ano, que acabou rejeitada por 21 a 17. Em seguida, Zacharias e Fioravante Gioia Sobrinho manifestaram interesse em assumir o cargo, mas o segundo acabou desistindo.
Encarregado financeiro, Zacharias era associado do clube desde 1982 e havia sido vice-presidente de esportes amadores na gestão de Sérgio Meneghel. Com o clube em sérias dificuldades financeiras, entraria para a história com dois rebaixamentos seguidos em seus dois anos de mandato.
