É campeão!
2012 foi o ano do renascimento do Rio Branco. O ano do primeiro título profissional da história do clube. Quando tudo indicava para um ano dos mais difíceis, com o time jogando, pela primeira vez em sua história, a 3ª Divisão do estado, o Rio Branco voltou a despertar o carinho do torcedor da cidade.
Sem a concorrência do Americana Futebol, que, no final do ano anterior, já havia anunciado sua volta a Guaratinguetá após apenas uma temporada, o Rio Branco iniciou sua preparação cedo e voltou ao passado para se reestruturar.
Nomes como os de Gerson Silva e Edison Fassina, que haviam trabalhado no clube nos anos 80 e 90, estruturando todo o trabalho de base, estavam de volta. Junto com eles, outro velho conhecido, o técnico Cilinho, voltava a dirigir um time profissional após um bom tempo parado.


O Tigre ganhou uma ajuda do prefeito Diego De Nadai, que trabalhou por patrocinadores para o clube e deu uma nova cara ao estádio, inclusive com a troca de todo o gramado do Décio Vitta em um acordo com a América Latina Logística (ALL). Era a primeira vez na história do estádio que toda a grama era trocada.
O plantio acabou atrasando devido às chuvas e o Tigre só conseguiu mandar uma partida em casa no dia 29 de fevereiro, contra o Independente, em uma noite na qual a cidade voltou a respirar o Rio Branco, apesar da polêmica pelos detalhes laranja – a cor da administração municipal – no uniforme.
Ainda no início da competição, Cilinho deixou o clube alegando interferência em seu trabalho. A saída do treinador mudou completamente os rumos da diretoria, que resolveu apostar em um ex-jogador que ainda não havia iniciado sua carreira de treinador, o ex-volante de Vasco e Corinthians Luizinho. Enquanto Luizinho chegava, o clube perdia Fassina e Gerson Silva, que alegaram problemas internos e seguiram o mesmo caminho de Cilinho.

Se os bastidores do clube estavam agitados, dentro de campo tudo se acalmava, com o time caminhando tranquilamente para a classificação. Líder do campeonato, o Tigre só foi perder o seu primeiro jogo fora de casa no dia 21 de março, para o Grêmio Osasco, adversário que reencontraria na final da Série A-3. A liderança da 1ª fase foi garantida com uma rodada de antecedência.
A espinha dorsal do time era formada pelo goleiro Éder, o zagueiro Bernardi e o meio de campo com Deda, Rodrigo Celeste, Rafael Jataí e Rafael Chorão, que mostrou o faro de gol que não havia apresentado em sua primeira passagem pelo clube. No ataque, o time contava com a experiência de Marcos Denner e Sandro Hiroshi, eterno ídolo da torcida que não se cansava de declarar seu amor pelo clube, além do rápido Túlio Renan.

Na 2ª fase, o time chegou a levar um susto com a derrota para o Capivariano no final do turno inicial (21-4-2012), mas, na rodada seguinte, venceu o mesmo rival em uma tarde/noite inesquecível no Décio Vitta, com Bernardi fazendo o gol salvador aos 48 do 2º tempo (28-4-2012). Bastava então vencer, na rodada seguinte, a Internacional (2-5-2012) para festejar o acesso com uma rodada de antecedência. E a vitória veio com gol solitário de Marcos Denner.
Os torcedores receberam a delegação no portal da cidade com muita festa e ainda comemoraram quando o Tigre venceu o Batatais (6-5-2012) na rodada seguinte e se garantiu, com a melhor campanha também da 2ª fase, na decisão. O objetivo passava então a ser o primeiro título da era profissional do clube.



O empate no primeiro jogo da decisão contra o Grêmio Osasco (13-5-2012) deixou o Tigre tranquilo para o jogo de volta. Mais um empate e a taça ficaria no clube. Dois gols de Túlio Renan na primeira metade do primeiro tempo transformaram a partida em uma festa da torcida, do presidente José Antonio Franzin e do prefeito Diego De Nadai, que comemoraram junto aos jogadores no gramado (20-5-2012).
Para não fugir à regra, o Rio Branco, mesmo aparecendo como um forte candidato ao título, fez feio na Copa Paulista. Com a chegada de vários jogadores indicados pelo técnico Moisés Egert, o time fracassou na competição que não deveria nem ter disputado, afinal havia desistido no ano anterior e o regulamento da federação previa que o clube desistente estaria automaticamente fora do torneio no ano seguinte.
Era melhor nem ter jogado. Além da péssima campanha, o Tigre ainda perdeu três pontos por relacionar na súmula o jovem Pablo, que nem chegou a entrar em campo. Nascido em 1996, ele não poderia figurar nem na súmula, pois o regulamento da competição só autorizava jogadores não profissionais nascidos entre 1992 e 1995.




Nem a volta de Carlos Rabello para ainda tentar a classificação salvou o time da pior campanha do grupo e uma das piores entre todos os participantes. Mas a diretoria ainda estava em crédito com a torcida. Afinal, havia resgatado o orgulho de ser riobranquense, festejado o primeiro título profissional e garantido o acesso para tentar voltar à elite no ano do centenário.
A novela envolvendo a venda da sede social do clube teve novos capítulos em 2012. O imóvel foi a leilão, para pagamento de dívidas trabalhistas, e acabou arrematado (11-1-2012). Mas o pagamento da primeira parcela dos R$ 6,6 milhões foi feito com cheque sem fundo e em seguida o comprador desistiu do negócio – a sede havia sido arrematada pelos advogados Evaldo Pereira da Silva, de São Paulo, e Marcos José Santos Meira, do Recife.
Foi marcado um novo leilão (23-2-2012), mas o arremate foi cancelado pela Justiça devido ao não pagamento dos R$ 7,1 milhões oferecidos pelo empresário José Afonso de Paiva, de Caconde-MG. O lance mínimo era de R$ 6,6 milhões, o que desagradava muito o Rio Branco, que alegava ter avaliação de um perito judicial de que a sede valia R$ 11 milhões e que o preço de mercado era de R$ 14 milhões.
Foi a terceira vez que um leilão da sede social fracassou. Em 2010, a sede já havia sido arrematada pela TradeInvest Empreendimentos e Participações por R$ 10 milhões, mas seu uso foi bloqueado até que o pagamento terminasse, o que fez com que a empresa deixasse de pagar as parcelas e o clube conseguisse a reintegração de posse.

