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2012

É campeão!

2012 foi o ano do renascimento do Rio Branco. O ano do primeiro título profissional da história do clube. Quando tudo indicava para um ano dos mais difíceis, com o time jogando, pela primeira vez em sua história, a 3ª Divisão do estado, o Rio Branco voltou a despertar o carinho do torcedor da cidade.

Sem a concorrência do Americana Futebol, que, no final do ano anterior, já havia anunciado sua volta a Guaratinguetá após apenas uma temporada, o Rio Branco iniciou sua preparação cedo e voltou ao passado para se reestruturar.

Nomes como os de Gerson Silva e Edison Fassina, que haviam trabalhado no clube nos anos 80 e 90, estruturando todo o trabalho de base, estavam de volta. Junto com eles, outro velho conhecido, o técnico Cilinho, voltava a dirigir um time profissional após um bom tempo parado.

O gol de David nos acréscimos do segundo tempo na vitória por 2 a 1 sobre a Inter de Bebedouro, em 29 de janeiro, na estreia da vitoriosa campanha na Série A-3 de 2012
O gol de David nos acréscimos do segundo tempo na vitória por 2 a 1 sobre a Inter de Bebedouro, em 29 de janeiro, na estreia da vitoriosa campanha na Série A-3 de 2012

O Tigre ganhou uma ajuda do prefeito Diego De Nadai, que trabalhou por patrocinadores para o clube e deu uma nova cara ao estádio, inclusive com a troca de todo o gramado do Décio Vitta em um acordo com a América Latina Logística (ALL). Era a primeira vez na história do estádio que toda a grama era trocada.

O plantio acabou atrasando devido às chuvas e o Tigre só conseguiu mandar uma partida em casa no dia 29 de fevereiro, contra o Independente, em uma noite na qual a cidade voltou a respirar o Rio Branco, apesar da polêmica pelos detalhes laranja – a cor da administração municipal – no uniforme.

Ainda no início da competição, Cilinho deixou o clube alegando interferência em seu trabalho. A saída do treinador mudou completamente os rumos da diretoria, que resolveu apostar em um ex-jogador que ainda não havia iniciado sua carreira de treinador, o ex-volante de Vasco e Corinthians Luizinho. Enquanto Luizinho chegava, o clube perdia Fassina e Gerson Silva, que alegaram problemas internos e seguiram o mesmo caminho de Cilinho.

Marcos Denner marca de pênalti contra o Capivariano em 21 de abril de 2012

Se os bastidores do clube estavam agitados, dentro de campo tudo se acalmava, com o time caminhando tranquilamente para a classificação. Líder do campeonato, o Tigre só foi perder o seu primeiro jogo fora de casa no dia 21 de março, para o Grêmio Osasco, adversário que reencontraria na final da Série A-3. A liderança da 1ª fase foi garantida com uma rodada de antecedência.

A espinha dorsal do time era formada pelo goleiro Éder, o zagueiro Bernardi e o meio de campo com Deda, Rodrigo Celeste, Rafael Jataí e Rafael Chorão, que mostrou o faro de gol que não havia apresentado em sua primeira passagem pelo clube. No ataque, o time contava com a experiência de Marcos Denner e Sandro Hiroshi, eterno ídolo da torcida que não se cansava de declarar seu amor pelo clube, além do rápido Túlio Renan.

Zagueiro Bernardi comemora após marcar, aos 48 do segundo tempo, o gol da vitória sobre o Capivariano por 1 a 0, em 28 de abril de 2012

Na 2ª fase, o time chegou a levar um susto com a derrota para o Capivariano no final do turno inicial (21-4-2012), mas, na rodada seguinte, venceu o mesmo rival em uma tarde/noite inesquecível no Décio Vitta, com Bernardi fazendo o gol salvador aos 48 do 2º tempo (28-4-2012). Bastava então vencer, na rodada seguinte, a Internacional (2-5-2012) para festejar o acesso com uma rodada de antecedência. E a vitória veio com gol solitário de Marcos Denner.

Os torcedores receberam a delegação no portal da cidade com muita festa e ainda comemoraram quando o Tigre venceu o Batatais (6-5-2012) na rodada seguinte e se garantiu, com a melhor campanha também da 2ª fase, na decisão. O objetivo passava então a ser o primeiro título da era profissional do clube.

Jogadores e comissão técnica rezam no centro do gramado do Limeirão após a vitória sobre a Internacional por 1 a 0, em 2 de maio de 2012, que garantiu a volta à Série A-2
Volta para Americana da delegação após o acesso em Limeira
Ingresso da final da Série A-3

O empate no primeiro jogo da decisão contra o Grêmio Osasco (13-5-2012) deixou o Tigre tranquilo para o jogo de volta. Mais um empate e a taça ficaria no clube. Dois gols de Túlio Renan na primeira metade do primeiro tempo transformaram a partida em uma festa da torcida, do presidente José Antonio Franzin e do prefeito Diego De Nadai, que comemoraram junto aos jogadores no gramado (20-5-2012).

Para não fugir à regra, o Rio Branco, mesmo aparecendo como um forte candidato ao título, fez feio na Copa Paulista. Com a chegada de vários jogadores indicados pelo técnico Moisés Egert, o time fracassou na competição que não deveria nem ter disputado, afinal havia desistido no ano anterior e o regulamento da federação previa que o clube desistente estaria automaticamente fora do torneio no ano seguinte.

Era melhor nem ter jogado. Além da péssima campanha, o Tigre ainda perdeu três pontos por relacionar na súmula o jovem Pablo, que nem chegou a entrar em campo. Nascido em 1996, ele não poderia figurar nem na súmula, pois o regulamento da competição só autorizava jogadores não profissionais nascidos entre 1992 e 1995.

Túlio Renan, que marcou os dois gols, comemora após abrir o placar na vitória por 2 a 0 sobre o Grêmio Osasco na final, em 20 de maio de 2012
Jogadores desfilam em carro do Corpo de Bombeiros na Avenida Brasil após a conquista do título
Torcedor com a faixa de campeão no Décio Vitta
Taça de campeão da Série A-3 de 2012

Nem a volta de Carlos Rabello para ainda tentar a classificação salvou o time da pior campanha do grupo e uma das piores entre todos os participantes. Mas a diretoria ainda estava em crédito com a torcida. Afinal, havia resgatado o orgulho de ser riobranquense, festejado o primeiro título profissional e garantido o acesso para tentar voltar à elite no ano do centenário.

A novela envolvendo a venda da sede social do clube teve novos capítulos em 2012. O imóvel foi a leilão, para pagamento de dívidas trabalhistas, e acabou arrematado (11-1-2012). Mas o pagamento da primeira parcela dos R$ 6,6 milhões foi feito com cheque sem fundo e em seguida o comprador desistiu do negócio – a sede havia sido arrematada pelos advogados Evaldo Pereira da Silva, de São Paulo, e Marcos José Santos Meira, do Recife.

Foi marcado um novo leilão (23-2-2012), mas o arremate foi cancelado pela Justiça devido ao não pagamento dos R$ 7,1 milhões oferecidos pelo empresário José Afonso de Paiva, de Caconde-MG. O lance mínimo era de R$ 6,6 milhões, o que desagradava muito o Rio Branco, que alegava ter avaliação de um perito judicial de que a sede valia R$ 11 milhões e que o preço de mercado era de R$ 14 milhões.

Foi a terceira vez que um leilão da sede social fracassou. Em 2010, a sede já havia sido arrematada pela TradeInvest Empreendimentos e Participações por R$ 10 milhões, mas seu uso foi bloqueado até que o pagamento terminasse, o que fez com que a empresa deixasse de pagar as parcelas e o clube conseguisse a reintegração de posse.

Jogadores comemoram com a torcida a conquista do título da Série A-3 2012

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