A bola entrou
Empolgado com o título da Série A-4 de 2024, o Rio Branco entrou em campo em 2025 sonhando com um novo acesso. Um sonho que perdurou até o mata-mata decisivo, valendo vaga na Série A-2 de 2026, e acabou em meio a uma polêmica semifinal diante do Monte Azul que o torcedor do Rio Branco não se esquecerá tão cedo.
As emoções para o torcedor em 2025 acabaram aí, porque, na Copa Paulista, o futebol do Rio Branco escreveu uma das páginas mais vergonhosas de sua história nos gramados.

A preparação para 2025 começou com o anúncio de mudanças na comissão técnica (17-10-2024), com as saídas do preparador de goleiros, Fabio Guedes, que foi trabalhar no Borneo, da primeira divisão da Indonésia, e do auxiliar-técnico Lucas Soares, este por decisão do clube. Cinco dias depois (22-10-2024), o Rio Branco anunciou um novo auxiliar para o técnico Leandro Mehlich, o ex-jogador do Palmeiras Correa, e, em seguida (23-10-2024), o preparador de goleiros Wagner Muller, que já havia trabalhado no clube, na década anterior.
A chegada de Correa era uma clara tentativa de se buscar uma interlocução melhor entre técnico e jogadores. Mehlich havia passado a Copa Paulista de 2024 inteira culpando jogadores após resultados ruins, o que não havia acontecido na Série A-4 porque no banco estava o ex-jogador Raphael Pereira, já que Mehlich não podia comandar o time à beira do campo nos jogos e nem dava entrevistas antes e depois das partidas, função que cabia a Raphael. Quando Mehlich assumiu a função de fato, o desgaste foi evidente.
Quando as mudanças na comissão técnica foram anunciadas, o Rio Branco já havia definido quem permaneceria entre os jogadores e até anunciado o seu primeiro reforço, o atacante Luketa (11-10-2024). Um mês depois (12-11-2024), 25 jogadores se apresentaram para o início da preparação, o que representava, nas palavras do presidente Claudio Bonaldo, 95% do elenco que iria disputar a Série A-3, cujo Conselho Arbitral para definir o regulamento aconteceu um dia antes (11-11-2024).
O Estádio Décio Vitta teve de passar por adaptações para a temporada de 2025. Após uma vistoria no local em dezembro de 2024, o Corpo de Bombeiros, para renovação do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros), exigiu mudanças na cativa, fruto de problemas enfrentados por torcedores nos jogos decisivos da Série A-4 do ano anterior, quando o setor lotou.
Era preciso ampliar a rota de fuga no setor cobertor do estádio, então os bombeiros ordenaram a retirada de 5 fileiras centrais de cadeiras, em uma largura de 2,40 metros, além de uma fileira inteira na parte superior central, abaixo dos camarotes, para que as pessoas tivessem por onde andar entre as cadeiras. O clube ensaiou colocar as cadeiras à venda como uma lembrança para o torcedor, mas a ideia não foi adiante.
Outra mudança no estádio, no final de 2024, ocorreu com a instalação de cabines de madeiras, pintadas de preto, para delimitar o espaço de cada jogador no vestiário do Rio Branco. O clube ainda precisou gastar em tinta em outro local porque, mais uma vez, a bilheteria com a escultura de um tigre na Avenida Carmine Feola foi pichada por torcedores do União Barbarense (12-12-2024), sendo tudo novamente pintado pelo clube quatro dias depois (16-12-2024).
Outra alteração foi a instalação de um spa no saguão dos vestiários, em uma parceria com a Modialle, para relaxamento muscular, fisioterapia e imersão em gelo (21-1-2025).
Entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, o torcedor se empolgou com cinco vitórias em cinco jogos-treinos disputados. Quatro dias antes da estreia (14-1-2025), o clube apresentou, novamente na pizzaria Di Madre, as suas camisas para a temporada, com a volta da camisa listrada como terceiro uniforme e um modelo all black, o número 1, que acabaria sendo o mais utilizado pelo clube durante a Série A-3.
Outra novidade na camisa foi o patch de campeão da Série A-4, no peito, perto da gola (todos os campeões de divisões paulistas de 2024 usaram o patch na camisa em 2025).
O Rio Branco começou bem o campeonato e chegou à sua maior série invicta em estaduais (de qualquer divisão), 19 partidas, superando os 18 jogos alcançados entre 2008 e 2009. Na rodada seguinte ao recorde, a 9ª, veio a primeira derrota, 1 a 0 para o Bandeirante, em Birigui.
No jogo posterior, como já havia feito na segunda rodada, o técnico Leandro Mehlich poupou todos os titulares (exceção ao goleiro) e o time perdeu para o União São João, por 1 a 0. Com mais duas derrotas nos dois jogos seguintes, diante de Desportivo Brasil e Itapirense, e a classificação às quartas ameaçada, Mehlich caiu, mas o clube rapidamente anunciou Luiz Carlos Martins, o rei do acesso, como seu substituto.
Já sob o comando do experiente treinador, o Rio Branco venceu dois jogos em casa, diante de União Suzano e Comercial, e enfrentou o Marília, na última rodada, já classificado. O time então passou pelo Desportivo Brasil nas quartas e garantiu vaga para jogar o mata-mata do acesso, contra um velho conhecido, o Monte Azul, para quem havia perdido a decisão da Série A-2 de 2009.
O primeiro jogo, em Americana, foi tenso, difícil, e o Monte Azul abriu o placar. Aos 51min do segundo tempo, após cruzamento de Felipe Muranga, Johnny cabeceou e o goleiro Zanella tirou a bola de dentro do gol.
O bandeirinha Leonardo Tadeu Predo não apenas não deu o gol, como levantou a bandeira marcando um impedimento completamente inexistente, pois havia um jogador do Monte Azul, além do goleiro, quase na linha de fundo. Para piorar a situação do trio de arbitragem, um torcedor do Rio Branco filmou o lance bem na direção do bandeirinha, e o vídeo correu pelas redes sociais, sendo mostrado em diversos sites e emissoras de TV.
O Rio Branco protestou, mas não havia mais nada a fazer, a não ser tentar vencer em Monte Azul por pelo menos um gol diferença, o que levaria a decisão para os pênaltis, ou por dois ou mais, para garantir a vaga.
A torcida do Rio Branco esgotou os ingressos de visitantes (400) para o jogo de volta e houve problemas em Monte Azul Paulista para os torcedores entrarem no estádio. O time saiu perdendo, buscou o empate e, nos acréscimos do segundo tempo, o Monte Azul fez o segundo com Cirilo, que, na comemoração, provocou a torcida do Rio Branco e deu início a uma grande confusão, com briga entre os jogadores e torcedores do Rio Branco quebrando o alambrado.

Com o fim do sonho do acesso no início de abril, ninguém sabia se o Rio Branco teria futebol no restante da temporada, já que a diretoria não confirmava participação na Copa Paulista. Dizia o presidente Claudio Bonaldo que jogar a competição dependia de viabilidade econômica e a expectativa era que o clube abrisse mão de disputar o torneio.
Pressionado pela torcida e surpreendendo muita gente, o Rio Branco anunciou (11-4-2025) que havia decidido disputar o torneio, que tinha seu Conselho Arbitral marcado para dali a quatro dias (15-4-2025). Na véspera do conselho, o Rio Branco anunciou que Luiz Carlos Martins não permaneceria (ele tinha contrato até o fim da Série A-3) e que o auxiliar Correa também sairia, já que havia recebido uma proposta melhor.
A solução encontrada para comandar o time foi apostar no técnico Fabio Toth, que havia enfrentado o Rio Branco na Série A-3 pelo Desportivo Brasil e foi apresentado (23-4-2025) em Americana como o técnico não apenas para a Copa Paulista, mas com contrato até a Série A-3 de 2026. Com a chegada de Toth e a saída do auxiliar Correa, o Rio Branco recebeu promover Rafael Delle Vedove (20-5-2025) de analista de desempenho para auxiliar técnico, deixando sua antiga função para Jonas da Silva Costa.
Tudo deu errado. Toth durou sete rodadas, sendo demitido pelo clube (29-7-2025) sem uma única vitória e com sua equipe marcando apenas um gol. Não só isso: o time mal conseguia criar chances de gol e passou algumas dessas sete partidas sem conseguir levar perigo uma vez que fosse ao gol adversário.
Coube ao novo auxiliar técnico, Rafael Delle Vedove, encerrar a vergonhosa campanha da equipe. Ele permaneceu como técnico nas últimas três rodadas porque, embora o clube anunciou um novo treinador, Tuca Guimarães, ele não poderia assumir a equipe, já que havia treinado o São Caetano naquela Copa Paulista (o regulamento não permitia a um técnico treinar duas equipes). Por isso, foi anunciado (31-7-2025) como coordenador técnico para a Copa Paulista e técnico para a Série A-3.
Com novas atuações pífias, que irritaram a torcida, o Rio Branco fechou a Copa Paulista sem vitória e com a pior campanha entre os 23 participantes. Pela primeira vez em sua história, ficou seis jogos seguidos no Décio Vitta sem marcar um único gol (dois pela Série A-3 e quatro pela Copa Paulista).
Fora de campo, o Rio Branco voltou a ser premiado no Programa de Excelência da Federação Paulista de Futebol. A 9ª edição do prêmio, que distribuiu R$ 1 milhão a 21 filiados, teve seus premiados anunciados (11-3-2025) em São Paulo, e o Rio Branco recebeu R$ 40 mil por ter sido um dos oito clubes da categoria Prata. Os clubes premiados haviam sido avaliados em quesitos como gestão, marketing e torcida.
Em setembro (22-9-2025), a sede náutica do Rio Branco sofreu sérios danos com um vendaval junto a um temporal que atingiu cidades da região de Campinas. Cerca de 15 árvores caíram no local e o salão de festas teve suas portas e janelas de blindex destruídas pela força do vento. Houve danos na iluminação dos minicampos, em telhados e na tenda da piscina. No dia seguinte, o clube, que estimou os prejuízos em R$ 70 mil, abriu uma vaquinha, arrecadando R$ 2.480 através das doações de 34 pessoas.
O Rio Branco teve eleição em 2025. Apenas uma chapa de conselheiros foi inscrita e a aclamação aconteceu em assembleia na sede náutica (27-11-2025). Os nove conselheiros da chapa tomaram posse (3-12-2025) para um mandato de quatro anos, juntando-se a outros nove que ainda tinham dois anos pela frente e aos 18 vitalícios.
Depois de dizer algumas vezes que pensava em não seguir na presidência do clube, o presidente Claudio Bonaldo colocou seu nome à disposição novamente e, sem concorrentes, foi reeleito pelos conselheiros naquele dia 3 de dezembro para um novo mandato de dois anos. Também sem adversário, Laureano Rabello foi também reeleito para mais dois anos como presidente do Conselho Deliberativo.
Dois personagens marcantes da história do Rio Branco partiram em 2025. Theodolindo Pedro Mastrodi foi, por sete décadas, sócio do Rio Branco, boa parte desse tempo todo também conselheiro (depois vitalício) e membro de comissões importantes, participando ativamente de grandes momentos da história do clube, como a construção do estádio. Foi ele um dos responsáveis por controlar as doações recebidas quando o clube iniciou aquela que seria a Comissão de Obras que enfim tirou o estádio do papel, a partir de 1968.
Morreu em Americana, aos 91 anos (1-3-2025). Adilson Valle, o Maguila, um dos mais fanáticos torcedores do Rio Branco, profundo conhecedor da história do clube e frequentador do Estádio Décio Vitta desde a inauguração, em 1977, sofreu um infarto fatal em casa, em um início da madrugada (23-4-2025). Tinha 59 anos.
O clube não prestou qualquer homenagem em suas redes sociais pelo falecimento de Maguila, que vendia lanches e pizzas em sua casa, perto do estádio que frequentou por quase 50 anos, desde os tempos do AEC (Americana Esporte Clube).
