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Almanaque do Tigre
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Anos 1950

Volta ao amadorismo

Sem condições financeiras de se manter na Segundona e alegando que precisava centrar esforços na reforma de sua praça de esportes, o Rio Branco decidiu não participar do torneio em 1950, após disputar as três primeiras edições da competição.

Assim, um dos poucos jogos disputados naquele ano foi contra o Corinthians, uma vitória por 5 a 4. O jogo fez parte do pagamento do passe de Rosalem, vendido pelo Tigre ao Timão. Durante boa parte dos anos 50, o Rio Branco só entrou em campo para “pagar” amistosos que devia pelo interior do estado. Jogadores que atuavam em outros clubes da cidade reuniam-se e representavam o Tigre nessas partidas.

Após não entrar em campo em 1951, o Rio Branco se mobilizou em 1952 para voltar a disputar a 2ª Divisão do Campeonato Paulista. Naquele ano, o Tigre teve dois times: um amador, que disputava amistosos e o Campeonato Amador, e outro que estava sendo formado para voltar a disputar as competições profissionais.

Rio Branco vice-campeão amador de sua região em 1952, ano em que tentou, sem sucesso, voltar ao futebol profissional: Russo, Irineu, Joel, Dilo, Klinger e Murilo (em pé); Bibe, Sena, Dirceu, Scomparim e Luizinho

O presidente do clube, Antonio Camargo Neves, chegou a inscrever o Tigre para jogar a 2ª Divisão (26-6-1952). Ele planejava contratar 15 jogadores, sendo quatro ou cinco do futebol paranaense. Um amistoso foi marcado contra o Radium para dar início a essa nova era no clube. O Tigre perdeu por 2 a 0 (24-7-1952) e, dias depois, desistiu de voltar a disputar a 2ª Divisão, pedindo o cancelamento de sua inscrição à Federação Paulista de Futebol.

O principal motivo para a desistência foi o alto valor pedido pelos jogadores. Se fossem atendidas as exigências dos atletas, a folha de pagamento mensal seria de Cr$ 60.000. Além disso, os atletas queriam passe livre após o término do contrato. O clube também não recebeu a ajuda que esperava do comando técnico da equipe, que teria se comprometido a auxiliar financeiramente na montagem do time.

Toda essa movimentação causou prejuízos para os cofres do Tigre, que gastou Cr$ 40.000 para formar e, logo depois, desmanchar o time. Para piorar a situação, já estava marcado um amistoso para o dia 2 de agosto, contra a Inter de Bebedouro, que viajou a Americana no dia combinado. O Rio Branco não tinha mais time profissional, mas o clube não havia conseguido cancelar o jogo. Mais prejuízo, já que a diretoria do Rio Branco teve de desembolsar Cr$ 3.500 para pagar as despesas de viagem da Inter, que retornou a Bebedouro à 0h30 do dia seguinte ao da chegada em Americana.

Rio Branco e Flamengo, de Santa Gertrudes, em campo antes do Torneio Início do Campeonato Amador do Estado de 1953
Joel Bertiê (camisa 3) jogava com uma touca para proteger a cabeça dos cordões da bola
Goleiro Marchini faz uma defesa

Fora de campo, o clube ainda vivia problemas, como a denúncia de que funcionava ilegalmente, já que não tinha eleições no Conselho havia mais de um ano (a eleição aconteceu em janeiro de 1953), e a revolta de outros clubes da cidade pelo preço do aluguel cobrado pelo Rio Branco para que usassem o seu estádio (Cr$ 1.000).

Foto perto da interrupção do futebol: Nivaldo, Renato Borsatto e Dácio (em pé); Irineu e Célio Rosalem (agachados)

Sem condições de se manter no profissionalismo, o Tigre seguiu no amadorismo e filiou-se, em março de 1953, à recém-criada LAF (Liga Americanense de Futebol). Nos três anos seguintes (1954 a 1956), não foram encontrados registros de jogos do Tigre, que provavelmente não deve mesmo ter entrado em campo, já que, em junho de 1954, a Federação Paulista de Futebol concedeu licença para o Rio Branco não disputar o Campeonato Amador. Para justificar sua ausência, o Tigre enviou à federação cópia do contrato com a prefeitura sobre a troca do terreno para construção de seu estádio.

O time voltou a campo em 1957. Nenhum jogador tinha salário, apenas recebia os bichos. Em julho daquele ano, o Rio Branco convocou jogadores da LAF para discutir a possibilidade de disputar a 3ª Divisão do Estado, que havia sido criada em 1954. A ideia não foi adiante.

Naquele ano, o Rio Branco não jogou o Campeonato Amador em Americana, mas mesmo assim o clube ainda era o principal da cidade. Em junho de 1957, a Tipografia São Benedito lançou um álbum dos jogadores de clubes locais. Entre as figurinhas, uma homenagem ao “velho esquadrão” do Rio Branco, bicampeão do interior. Do total arrecadado com o álbum, metade seria destinada à construção da Maternidade de Americana.

A taça de vice-campeão amador de Americana em 1959

O clube vivia um amadorismo com regras. Em 1958, por exemplo, existia um regulamento que previa multa de 20% do valor do bicho do jogador para aquele que não comparecesse ao treino. Havia bicho até em caso de derrota, pela participação do jogador nas partidas. Os titulares recebiam Cr$ 300 (vitória), Cr$ 150 (empate) e Cr$ 100 (derrota) e os reservas, Cr$ 150, Cr$ 100 e Cr$ 50.

Os jogadores eram inclusive proibidos de jogar partidas de futebol de salão depois de quinta-feira. O “divertido” regulamento interno do clube previa até que era proibido pisar nas toalhas após o banho. “Tolera-se pisar no calção”, dizia.

O Tigre fez boas campanhas em 1958 e 1959 no Campeonato Amador. Foi neste último ano, após o vice-campeonato, que o clube interrompeu de vez as suas atividades no futebol. A última partida do Tigre, antes de um período de 20 anos sem futebol, foi uma derrota por WO para o São Domingos. O Rio Branco não tinha time para escalar devido ao fato de que vários jogadores estavam suspensos pela própria diretoria. A última vez em que o time entrou em campo, de fato, foi no dia 20 de setembro, uma derrota por 3 a 0 para o Progresso, campeão daquele ano. Depois disso, só dali a duas décadas.

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