Um ano difícil
Três derrotas nas três primeiras rodadas. O início do Rio Branco no Paulistão de 2004 assustou. Mesmo assim, o Tigre quase conseguiu a classificação às quartas. Perdeu a vaga justamente para o rival União Barbarense, que ficou um ponto à frente, na 4ª posição do grupo.
O Paulistão durou, assim, apenas nove jogos para o Rio Branco, depois de viver uma preparação turbulenta, com várias negociações na busca por um parceiro do futebol ou para terceirizar o departamento, o que marcou não apenas o primeiro semestre do clube, mas toda a temporada.
Sérgio Luiz Meneghel Silveira assumiu a presidência no primeiro dia do ano cercado de incertezas. A empresa de marketing esportivo WDS negociava com jogadores e os apresentava, mesmo sem ter contrato assinado com o clube. Os contratos negociados, em sua maioria, eram para toda a temporada, pois a Série C estava nesse planejamento para 2004.
Mas a empresa não apresentava as garantias financeiras para a parceria ser sacramentada. Alegava que as festas de final de ano eram as responsáveis pelo atraso. Até que aceitou assinar (7-1-2004) um termo de ajuste proposto pelo Conselho Deliberativo, segundo o qual a WDS teria até o dia 14 de janeiro para fazer um aporte de R$ 70 mil no clube, o que automaticamente estenderia até dia 21 o prazo para a apresentação das garantias financeiras.

O dia 14 chegou e nada foi pago, o que levou Meneghel a se reunir com a comissão técnica, comandada por Júlio Espinosa, para definir seis ou sete dos 12 reforços apresentados pela parceria para que fossem inscritos. Esse era o plano B diante da possibilidade cada vez mais real de não ter parceiro: assumir os custos, reduzindo as contratações, para disputar o Paulistão com recursos próprios.
O Conselho Deliberativo reuniu-se no dia seguinte (15-1-2004) e decidiu que o clube iria de fato jogar o Paulistão com recursos próprios, somados às cotas dos direitos de TV. Para o presidente da WDS, Wellington dos Santos, faltou bom senso porque, segundo ele, os contratos de patrocínios estavam todos encaminhados e seriam assinados depois do dia 20. Completou dizendo que iriam para outro clube porque tinham outras opções para levar os patrocinadores.
Dessa forma, com atrasos de salários de funcionários chegando a cinco meses, o Tigre jogou, no primeiro semestre, o Paulistão e também a Copa São Paulo, parando nas quartas diante do São Paulo nos pênaltis (20-1-2004). A boa notícia nesse semestre foi o surgimento do garoto Thiago Ribeiro.
O atacante da base havia sido lançado na Copa Estado de 2003, mas despontou mesmo na Copinha, com quatro gols, ganhando oportunidades no Paulistão. Após longa negociação, entre idas e vindas, acabou sendo emprestado, com o companheiro Adonis, ao Bordeaux por até dois anos, por 150 mil euros – no ano seguinte, o Tigre negociou Thiago Ribeiro com o empresário Marcel Figger por R$ 400 mil.
Como jogador do Rio Branco, Thiago Ribeiro já havia sido convocado pelo técnico Armênio Moura para a seleção brasileira sub-20 (17-3-2004), que jogaria a 4ª Copa Internacional do Mediterrâneo, em Barcelona. A extinta base do clube dava seu último grande fruto. O clube mal tinha dinheiro para sustentar o futebol profissional, e muito menos para as categorias de base, que viviam em acordos de parcerias, sem mais o trabalho de buscar, trabalhar e revelar atletas. José Fioque, então secretário de Esportes de Americana, havia assumido o Departamento de Futebol Amador do clube (28-1-2004).
Outro fruto do trabalho de base do clube, o meia Igor conseguiu o passe na Justiça em 2004. Com salários atrasados no Flamengo, clube que defendia emprestado pelo Rio Branco, o meia conseguiu uma liminar para deixar a Gávea e assinar com o Coritiba. O Flamengo havia dado motivo para o Rio Branco perder o passe de Igor e passava a dever US$ 1 milhão ao Tigre. O valor (R$ 2,1 milhões) só seria pago entre 2015 e 2016.
Com sérios problemas financeiros, o Rio Branco chegou a conversar com o Bordeaux, em meio à negociação de Thiago Ribeiro, sobre uma parceria envolvendo a base, mas tanto esse quanto um possível acordo com a ISC (International Sports Consulting) não foram para a frente.
Sem parceiro, o clube jogou a Série C e a Copa Federação no segundo semestre. A CBF havia reduzido o número de participantes da 3ª Divisão nacional e demorou para confirmar o Rio Branco na competição (4-5-2004). O critério foi a classificação no Paulistão da temporada, algo que se repetiria anos depois e afastaria o Rio Branco das competições nacionais devido ao rebaixamento no estadual.
O Rio Branco ficou com a última vaga paulista, mas sem ajuda financeira. A CBF prometia, para a Série C, subsídio de despesas de deslocamento e hospedagem apenas para o melhor do Estado, a Portuguesa Santista.
Disputando duas competições, o Rio Branco jogou em um mesmo dia (4-9-2004), em locais diferentes, duas partidas valendo classificação. Reforçado por jogadores suspensos da rodada decisiva da Série C, o Tigre foi, pela manhã, a Campinas precisando da vitória, mas perdeu para o time B do Guarani por 3 a 1, sendo eliminado da Copa Federação.
À tarde, o time principal empatou em Araras com o União São João, sem gols, e classificou-se à 2ª fase da Série C graças à vitória do União Barbarense sobre o América por 2 a 1.
O time seguiu na Série C passando pelo Atlético Sorocaba no primeiro mata-mata, mas caiu nas oitavas após duas derrotas para o União Barbarense. Foi a temporada dos dérbis e o Tigre não conseguiu vencer uma única vez o rival em sete partidas (seis derrotas e um empate).
