Nasce o Arromba
O Sport Club Arromba nasceu em 4 de agosto de 1913 e foi a campo pela primeira vez apenas 13 dias depois, vencendo o Sport Clube Operário, de Carioba, por 3 a 0. A primeira derrota do clube de que se tem notícia aconteceu no ano seguinte, por 8 a 1 para o Guarani. O Arromba foi fundado diante de 25 associados em uma reunião na qual João Truzzi, que passou a integrar a diretoria, propôs ao clube Cr$ 2 de joia e Cr$ 1 de mensalidade para quem quisesse se associar, o que foi aprovado. O valor era baixo. Para efeito de comparação, os dois primeiros jogos do clube geraram um custo de Cr$ 96,70.
O Arromba, com calção preto, camisa branca e meias pretas, mandava os seus jogos no campo localizado perto das ruas 12 de Novembro e Cândido Cruz, em terras da família Cordenunsi. Segundo Vergílio Braga — o último campeão do centenário de 1922 a morrer, em 1995 —, a reunião de fundação ocorreu na venda de Florindo Cibin.


Mas o movimento para a criação de um clube esportivo em Villa Americana começou bem antes. Um dos grandes responsáveis pela introdução do esporte na vila foi Emilio Leon Brambilla, cuja família italiana abastada havia se mudado para a Argentina para criar ovelhas. O patriarca da família, após o crescimento dos filhos em território argentino, decidiu mandar a filha Catarina para Milão, para estudar afazeres domésticos, e o filho Emilio para Berna, para se especializar em administração e esporte. Todo fim de ano, Emilio voltava para a Argentina, onde organizava campeonatos esportivos e revia o pai.
Até que, no século XIX, Emilio voltava com dois amigos de navio para a Argentina quando ficou sabendo que o pai havia falecido. Como não tinha mais familiares naquele país, decidiu, junto aos amigos, encerrar a viagem no Rio de Janeiro. Começaram então a buscar formas de ensinar, através de palestras, as práticas esportivas que haviam aprendido na Suíça. Conseguiram apoio para as despesas de locomoção e assim chegaram até Goiás.
Após os amigos desistirem da empreitada, Emilio seguiu sozinho até chegar à Vila Americana, onde conheceria Maria Leonessa, sua futura esposa. Estabelecido na vila, começou então a fomentar as práticas esportivas, primeiro conseguindo introduzir na cidade competições de regatas e depois sendo um dos grandes incentivadores para a criação do Arromba.
O nome do clube aparece de diferentes formas em 1914, mesmo internamente. Em ata de reunião de diretoria, está registrado o nome Sport Club Arromba (28-9-1914) e, já na reunião seguinte, Arromba Foot-Ball Club (17-11-1914), o que mais parece um erro do que de fato alguma alteração de nome, já que não existe qualquer registro de mudança naquele ano.


Em 1915, para conseguir dinheiro para aquisição do novo uniforme do Arromba, foram programados festejos no Parque Ideal, com natação, corrida de canoas, corrida de obstáculos, masca barbante, corrida com ovos, corrida com tamancos, corridas em sacos, corrida perde-ganha, quebra moringa e torneio de valsas. Nos intervalos das provas, foram organizadas quermesses. A partir daquele ano, foi cobrado Cr$ 0,20 das crianças maiores de 7 anos para assistir aos jogos do time.
Em uma fase de completo amadorismo, os jogadores não eram exclusivos do Arromba. Jogavam onde queriam. O clube começou a mudar isso quando decidiu multar os jogadores e sócios Aurélio Cibin, Julião Giusti e Laudelino Lemos, além dos irmãos Raphael e Domingos Vitta, em Cr$ 0,50 cada (13-9-1915), pelo fato de estarem atuando, sem permissão do clube, em outros quadros.
Em maio de 1916, a morte de Cristiano Vescel, segundo presidente do clube e que havia assumido o cargo em 1915 no lugar de Domingos Meireles, abriu espaço para Fortunato Basseto, um dos nomes marcantes dos primeiros anos do Rio Branco. Naquele mesmo mês, o Tigre alugou como sua sede o prédio de número 38 da Rua Carioba, pagando Cr$ 15 mensais de aluguel mais Cr$ 5 de luz.
O Arromba virou Rio Branco em 1917, estreando o novo nome em uma partida contra o Sete de Setembro, cujo resultado é desconhecido (23-9-1917). O pedido para a mudança de nome foi feito por Basseto (9-8-1917), que sugeriu Vila Americana Football Club. Mas o nome escolhido pela diretoria (16-9-1917) foi mesmo Rio Branco Football Club, que, segundo Braga, teria sido uma homenagem ao Visconde do Rio Branco.


Além da mudança de nome, 1917 foi o ano em que Germano Benencase compôs o primeiro hino do clube, com letra do poeta paulista Gomes de Almeida. Germano nasceu em 1897, na Itália, portanto era um garoto de apenas 20 anos quando compôs o hino. Músico de talento reconhecido pelo Brasil, morreu em Americana em 18 de março de 1975.
O Tigre (apelido que, segundo Braga, foi dado por Heitor Cibin devido à garra da equipe) passou toda a década de 10 jogando apenas amistosos e começando a mostrar, logo nos seus primeiros anos de vida, que seria uma força do futebol do interior de São Paulo. Em 1918, por exemplo, foram dez amistosos ao longo do ano com oito vitórias, a maioria com pelo menos três gols de diferença.
Em 1919, o Rio Branco derrotou clubes tradicionais do interior de São Paulo, como o XV de Piracicaba e o London Campineiro, que esteve em Americana para enfrentar o Tigre com um combinado formado por jogadores de Guarani e Ponte Preta. Mesmo assim, levou 5 a 1. O clube começava, já nos seus primeiros anos de vida, a montar uma base que iria impor respeito nos primeiros anos da década seguinte.
